EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

O suícidio como terrorismo analisado em "A Minha Vida é Uma Arma"

O suícidio como terrorismo analisado em "A Minha Vida é Uma Arma"

"A Minha Vida é Uma Arma - Uma História Moderna dos Bombistas Suicidas", do jornalista Christoph Reuter, obra agora lançada em Portugal, analisa a opção dos indivíduos que recorrem ao sacrifício da própria vida para atingir o inimigo.

Agência LUSA /

No livro, que a editora Antígona acaba de colocar nas livrarias, o autor questiona a legitimidade do suicídio como arma de guerra, identificando os factores políticos, religiosos e sociais que se ocultam por detrás dessa decisão.

Para Christoph Reuter, o bombista suicida não é mero subproduto da aliança entre tecnologia de explosivos e fanatismo islâmico, combinando também elementos da repressão militar e da propaganda política.

Neste ensaio, o guerrilheiro disposto a fazer-se explodir em nome de Deus surge enquadrado nos atentados do 11 de Setembro de 2001, que, para Reuter, não podem ser entendidos apenas como resultado das falhas de segurança dos Estados Unidos.

Para o autor de "A Minha Vida é Uma Arma", o desconhecimento do que motiva um bombista suicida acaba por reforçar o recurso à guerra e leva a que se aceite uma cada vez maior vigilância do espaço público e privadoÓ mas não evita que os atentados se repitam.

A dificuldade em lutar contra aqueles a quem não se pode ameaçar com a morte porque desprezam a vida e estão dispostos a abdicar dela sem considerar isso um castigo é um dos aspectos focados no livro, que aborda a função social do mártir e da morte sacrificial.

A Al-Qaida e a sua lógica de luta contra os "infiéis" do Ocidente, a história da fé e do poder no mundo islâmico, a interpretação do Corão, a jihad (guerra santa), a sharia (lei islâmica) e a fatwa (preceitos religiosos) são também analisados.

Os batalhões suicidas do Irão dos anos 1980, o Hezbollah e a causa palestiniana estão igualmente referidos no volume, que reflecte sobre o significado do martírio nas sociedades do Médio Oriente, onde se misturam a dor e o orgulho pelos "kamikazes".

O que leva um homem ou uma mulher a abandonar a sua família, incluindo filhos pequenos, para se fazer explodir? Em que acredita quando o faz? O que espera alcançar: a liberdade para a sua Pátria ou o Paraíso? - são perguntas a que Christoph Reuter procura responder.

O autor começou a investigar os atentados suicidas na década de 1990, em Israel, no Líbano e no Irão, acompanhando também a sua incidência na Turquia, Caxemira, Tchetchénia, Indonésia e Tunísia, entre outros territórios.

Premiado com o Axel Springer-Journalistenpreis em 1997, Christoph Reuter, 37 anos, é licenciado em Estudos Islâmicos e trabalha como jornalista na revista alemã Stern, escrevendo sobre o mundo islâmico, com particular destaque para a região do Próximo e Médio Oriente.

PUB