O tango tem origens negras

O músico argentino Juan Carlos Cáceres, que regressou a Buenos Aires para apresentar o seu novo disco, «Murga Argentina», disse que as suas investigações lhe permitem reivindicar «a origem negra do tango».

Agência LUSA /

Adiantou que actualmente existe uma nova historiografia e musicólogos que se ocupam desse tema, e que ele próprio, radicado em Paris desde 1968, estudou as raízes africanas daquela música.

«O tango não teria existido se não tivesse havido escravos», comentou Cáceres, pianista, compositor, intérprete, pintor e professor de História da Arte.

«Fez-se uma história oficial depois da independência (em 1816) e decidiu-se fazer um país branco, em que os gaúchos e negros eram sinónimo de barbárie. Assim, ficou na memória colectiva a ideia de que o tango é branco», disse ele.

O músico recuperou as origens africanas do tango e retomou os ritmos do candombe (espécie de batuque) e da toada popular no álbum «Murga Argentina», a apresentar sexta-feira no teatro ND Ateneu de Buenos Aires.

Considerando que, na Argentina, do ponto de vista musical, «há boa matéria-prima e o potencial é enorme», Cárceres diz que o que o atrai menos «é o tradicional».

«Por curiosidade, atraem-me as novas propostas, como o tango electrónico e a fusão», explicou o músico.

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