Obra "A Wilde Mass" de António Chagas Rosa é apresentada hoje no Festival de Avignon
Avignon, França, 16 jul (Lusa) -- A peça "A Wilde Mass", do compositor António Chagas Rosa, inspirada no texto "De Profundis", de Oscar Wilde, é hoje apresentada no Festival de Avignon, no sul de França.
Em declarações à Lusa, o compositor afirmou esta peça "é uma variação livre sobre a ideia de uma missa profana, servindo-se de fragmentos de prosa extraídos ao texto de Oscar Wilde".
Segundo Chagas Rosa, o texto de Wilde "encerra uma reflexão sobre a figura de Cristo, como portadora de uma missão estética, apresentando-O como personificação última do Artista que reúne, num mesmo gesto, amor, redenção e criação".
"A Wilde Mass", concebida para vozes solistas e órgão, é escutada hoje no Temple Saint-Martial, em Avignon, no sul de França, pelo Ensemble Musicatreize, com Luc Antonini, no órgão, e direção de Roland Hayrabédian.
A composição "respeita a estrutura ordinária da missa, descerrando seis visões (ou exaltações) de Cristo, como o maior poeta de todos os tempos", explicou Chagas Rosa.
"A primeira exaltação [Introitus] coloca Cristo no meio dos poetas; a segunda [Kyrie] reforça esta visão, apresentando a vida de Jesus como o mais belo dos poemas; a terceira exaltação [Graduale] mergulha no abismo da pobreza dos ricos e dos sofrimentos do mundo; a quarta [Offertorium] introduz a visão da Cidade Celeste, envolvida em muralhas de música; a quinta [Agnus Dei] apresenta a imagem do corpo da criança como imagem do corpo de deus; a sétima parte [Requiescat] é uma canção fúnebre sobre o poema `Thread lightly, she is near`, um lamento sobre a morte de uma donzela", explicou compositor.
"A Wilde Mass" foi estreada no passado dia 30 de junho, na Église des Réformés, em Marselha. Depois de Avignon, a obra tem "programados ainda mais dois concertos, na Catedral de Riga, em outubro, e na Catedral de Saint John the Divine, em Nova Iorque, em abril próximo.
"Esta obra não pretende associar-se a nenhuma espécie de liturgia. Ela é, em si mesma, um produto poético e livre inspirado na viagem interior de Oscar Wilde durante os seus anos de prisão", sublinhou à Lusa António Chagas Rosa.
O compositor português nasceu em Lisboa há 54 anos, trabalha na Universidade de Aveiro e é autor, entre outras obras, de "Songs of the Beginning", "Trois Consolations", "Moh" e "Sept Épigrammes de Platon".