Obra "Contaminação", de Joana Vasconcelos, ocupa dois andares da Pinacoteca de São Paulo
Lisboa, 19 Fev (Lusa) - A artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos está a concluir uma obra intitulada "Contaminação", a maior que já criou, que será inaugurada sábado na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no âmbito do Projecto Octógono Arte Contemporânea.
A obra, que envolve vários materiais - desde tecidos a fios para crochet - tem cerca de quinze metros de diâmetro, está a ser montada por uma equipa de 12 pessoas e ficará instalada em dois pisos da Pinacoteca de São Paulo.
"Fico muito satisfeita porque sou a primeira portuguesa a expor aqui, e esta é a maior obra que já criei", disse a artista num contacto telefónico da Agência Lusa para aquele centro cultural e museu.
"Contaminação" é um corpo têxtil colorido e disforme, tentacular, que se estende pelo espaço, "contaminando ou invadindo" os elementos arquitectónicos existentes na Pinacoteca "como um tronco cujos ramos cresceram em várias direcções", descreveu a artista.
De acordo com Joana Vasconcelos, o convite surgiu há três anos por parte do curador Ivo Mesquita, e a artista deslocou-se ao Brasil - onde já esteve cinco vezes a expor em galerias e participar em workshops - para avaliar as condições do espaço e idealizar a instalação.
"É importante para mim estar aqui porque o espaço em si é extraordinário, e esta instituição é conhecida internacionalmente", comentou a artista, para quem o êxito que tem vindo a conquistar nos últimos anos em Portugal e no estrangeiro representa "sobretudo a oportunidade para fazer obras de muito grandes dimensões".
O projecto "Contaminação" foi realizado no âmbito do protocolo celebrado entre a Direcção Geral das Artes, tutelada pelo Ministério da Cultura português, e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que tem vindo a apresentar, desde 2003, remontagens de obras importantes para o conhecimento e difusão da arte contemporânea, e também trabalhos inéditos realizados especialmente para o local.
O Projeto Octógono Arte Contemporânea foi iniciado com uma instalação do artista Mario Merz, visando, no quadro de actividades do museu, um espaço de debate sistemático acerca da contemporaneidade nas artes visuais.
Desde o início de Janeiro, Joana Vasconcelos tem uma exposição de trabalhos recentes, entre eles esculturas femininas cobertas por crochet negro, na Galerie Nathalie Obadia, que representa a artista em Paris.
"Où le noir est couleur", título da exposição que estará patente até 01 de Março, reúne as obras "Big Booby", de 2007, "Euphrosyne", "Thalie", "Aglaia", "Victoria" e "Coração Independente Vermelho #3", peças terminadas já este ano, e ainda a instalação vídeo "www.fatimashop", criada em 2002.
Segundo a artista, a maioria das obras já se encontra reservada por clientes - estando ainda algumas em negociação - sendo que o "Coração Independente Vermelho #3" está a ser apreciado pelo Centre Georges Pompidou de Paris para uma eventual aquisição.
Joana Vasconcelos tornou-se mais conhecida do público português depois da participação, em 2005, na Bienal Internacional de Arte de Veneza, onde apresentou "A Noiva", um lustre feito com vinte mil tampões higiénicos femininos escolhido como peça principal daquela exposição.
As suas obras - que resultam da apropriação e subversão de objectos do quotidiano - têm sido apresentadas em exposições na Europa, América Latina e Estados Unidos, e no ano passado o Museu Colecção Berardo adquiriu duas peças para a entrada e a saída do edifício onde está instalado.
Os dois castiçais gigantes adquiridos pelo Museu Berardo, com uma estrutura em ferro preenchida por garrafas de vidro, são um exemplo da aplicação de objectos do quotidiano para criar peças de grandes dimensões.
Em Portugal, além do Museu Berardo e da Fundação de Serralves, a artista também está representada nas colecções de arte particulares de António Cachola, Pedro Cabrita Reis e José Miguel Júdice.
AG.
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