Obra sobre prostituição encapotada envolvendo "sugar daddies" vence Arouca Film Festival

Obra sobre prostituição encapotada envolvendo "sugar daddies" vence Arouca Film Festival

A curta-metragem espanhola "Sugar", sobre prostituição feminina encapotada envolvendo a sedução dos chamados `sugar daddies` através da internet, venceu hoje a 24.ª edição do Arouca Film Festival.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Arouca Film Festival

Segundo revela à Lusa a direção desse certame do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o drama de 12 minutos destacou-se entre as 36 `curtas` em competição e conquistou assim o prémio de melhor filme para a obra escrita e dirigida por Carlos Gómez-Trigo e Pablo Arreba.

"O filme denuncia o inquietante fenómeno do `Sugar Daddy`", revela João Rita, diretor do Arouca Film Festival, em referência à expressão inglesa com que mulheres jovens identificam os homens mais velhos com que se envolvem sexual ou romanticamente para beneficiar dos seus recursos financeiros.

A tendência também se aplica a casais homossexuais, mas o filme exibido em Arouca recorre à história do envolvimento de uma jovem de 20 anos com um homem de 45 para retratar "uma forma de prostituição encoberta que tem ganhado popularidade entre as novas gerações através das redes sociais e de aplicações de encontros".

O filme que se classificou em segundo lugar no festival, iniciado no dia 9 e que termina este sábado, foi a `curta` de 17 minutos "Lighthouse", que arrecadou ainda o prémio de melhor argumento.

"Esta produção germano-iraniana dirigida por Sahar Nouh inspirou-se nos protestos liderados por mulheres no Irão", realça João Rita, "e constitui um drama visual e musicalmente poderoso que se assemelha a poesia --- evoluindo de um destino profundamente pessoal para uma história universal sobre resistência feminina e o poder da cura".

Na categoria das longas-metragens, disputada por quatro obras, coube a "Guardian of the Field" um total de cinco vitórias: Melhor Longa-Metragem, Melhor Realização, Melhor Argumento, Melhor Representação e Melhor Som.

Esse filme iraniano é dirigido por Mohammad Reza Kheradmandan e, em 103 minutos, explora "conceitos profundos como a confiança social, o sentido de responsabilidade comunitária e o conflito entre os deveres familiares e as obrigações perante os outros".

Voltando às `curtas`, a distinção para Melhor Ficção foi atribuída a "Afrat", do realizador iraniano Siavash Vazini, que em seis minutos evoca mulheres curdas numa perspetiva que combina memória visual, identidade e representação cultural.

Já o prémio de Melhor Animação foi para "A cada dia que passa", do cineasta português Emanuel Nevado. "É um filme de 11 minutos que retrata a solidão, a rotina e o desejo de reencontrar a felicidade na velhice", diz João Rita.

 Quanto a Melhor Realização e Melhor Edição, ambas as distinções couberam à `curta` espanhola "La hora escrita", em que o realizador Coke Arijo explora em 12 minutos "um dos episódios mais devastadores da Guerra Civil" do seu país.

Outras distinções ao nível das curtas-metragens foram: Melhor Realização e Melhor Som para "Como las cucarachas en Verano", de Sergio Enrique Porras Ascanio e Alexandra Vivas Guittard; Melhor Representação para "Amarraditos", protagonizado por Rosario Pardo e Rafa Nuñez, sob direção de Arturo Monbiedro Lozano; e Prémio do Público para "Sophie`s Bakes", do português Hugo Coelho.

Ao nível da Fotografia, o vencedor foi Vadim Poteevfoi pelo seu trabalho no drama de 150 minutos "Black Forest", realizado pelo russo Radik Kudoyarov.

"O filme aborda o impacto devastador do bombardeamento dos Aliados sobre a floresta alemã, em 1944, revelando a tragédia humana e os dilemas morais enfrentados por soldados e civis apanhados no caos da guerra", explica João Rita.

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