Obras de Alexander Calder na Fundação Eugénio de Almeida
Quarenta cinco obras do escultor e artista plástico norte-americano Alexander Calder, pertencentes a uma colecção privada estrangeira, vão estar a partir de hoje patentes ao público em Évora.
A exposição, denominada "Calder - A Forma e o Sonho", é promovida pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA) e vai estar patente, no fórum do mesmo nome, na cidade de Évora, até 01 de Abril do próximo ano.
Segundo a Fundação Eugénio de Almeida, a mostra é acompanhada da edição de um catálogo, em português e espanhol, com imagens das obras - guaches, desenhos e tapetes - e uma biografia do artista, cujo "génio inovador alterou profundamente o rumo da arte moderna".
"Esta é uma oportunidade excepcional para a descoberta de um espólio de grande qualidade e importância artística", realça a organização, ao lembrar que as obras costumam ser "pouco acessíveis ao público", por pertencerem a uma colecção privada estrangeira.
No que respeita aos desenhos, realizados em 1925, integram uma série de estudos que Calder dedicou aos animais do circo.
Neles, sublinha a FEA, o artista revela o seu interesse "pela veracidade da reprodução anatómica, pelo realismo das poses, pela força dos detalhes e pelo carácter burlesco de certas situações".
Nos anos 60, Calder continua a fazer esculturas, interessa-se pela tapeçaria e pela litografia e volta a pintar, especialmente guaches, "geralmente de grande formato" e que "não constituem somente um campo de experimentação iconográfica e de cor".
"São obras de pleno direito, a chave para um conhecimento mais profundo do universo e da simbologia do artista", explica a FEA, precisando que os guaches de Calder "seguem a mesma linha conceptual da sua escultura, embora numa única dimensão".
O conjunto de guaches integrado na exposição, segundo a fundação, ilustra a totalidade da produção do artista, até ao final da sua vida, evidenciando o "lado mais poético da sua obra".
Nascido em 1898 e falecido em 1976, Alexander Calder formou-se em engenharia mecânica e dedicou-se à escultura, pintura e ilustração, fixando-se em Paris em 1926, onde conheceu vários artistas surrealistas e dadaístas.
Conhecido pelas suas esculturas fixas (denominadas "stabiles"), Calder notabilizou-se também, entre os escultores modernos, por ter sido o primeiro a explorar o movimento na escultura através da criação dos "mobiles", placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam ao vento, assumindo as mais variadas formas.