Octogenário de Valença tem uma das melhores colecções de rádios antigos em Portugal (c/fotos)

Os rádios antigos são a paixão de Sansão Vaz, um octogenário de Valença que possui uma colecção de mais de 600 exemplares, alguns bastante raros.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Aos 87 anos Savá, como é mais conhecido, continua a laborar na sua oficina, consertando novos aparelhos que contribuem para aumentar o seu espólio.

"É um bichinho que está dentro de mim e que só me há-de largar quando eu morrer. Gosto de rádios antigos e dá-me muito prazer pegar neles avariados e pô-los a funcionar", disse, à Lusa.

Residente em Valença Sansão Vaz ganhou o gosto pela arte quando cumpriu o serviço militar em Campolide, Lisboa, já lá vão bem mais de 50 anos.

"Aproveitei esse tempo para frequentar um Curso de Técnico de Rádios e, a partir daí, decidi montar em casa uma `clínica`, para `operar` os aparelhos avariados. Hoje ainda continuo a trabalhar, mas agora só para mim", refere.

Como o ordenado que ganhava como electricista, a sua profissão de subsistência, "não chegava para nada", e "como os tempos eram difíceis", Savá aproveitava o "jeito" que tinha para reparar rádios para "amealhar mais alguns tostões", juntando assim o útil ao agradável.

"Sempre fiz isto por gosto, mas é claro que o dinheirinho também dava muito jeito", refere, com humor.

Depois de visitar uma colecção em Aveiro, entusiasmou-se e começou também ele a coleccionar de forma mais ou menos tímida, mas em 1985, após se ter reformado, entregou-se de corpo e alma a este hóbi, tendo hoje espalhados em sua casa e pela garagem do genro cerca de 600 rádios.

"Costuma-se dizer que parar é morrer, e eu achava que ainda era muito novo para morrer", graceja.

Começou a frequentar feiras de antiguidades e velharias e a estabelecer contactos com outros coleccionadores ou proprietários de rádios antigos, sempre "à espreita" de conseguir mais um exemplar para o seu espólio.

"A família dava-me raspanetes atrás de raspanetes, por ter a casa atafulhada de rádios, mas eu lá conseguia levar a água ao meu moinho. Afinal, há sempre lugar para mais um rádio, que até nem ocupa tanto espaço quanto isso", refere.

Entre os seus 600 rádios, todos a funcionar, há-os do tipo cofre, capela e portáteis, das décadas de 20 a 50, incluindo três exemplares alemães do tempo do nazismo", chamados rádios "Mordaça" por só emitirem numa área restrita naquele país.

"Tenho um especial carinho por esse trio", confessa.

O rádio mais caro que tem em casa é um Telefunken, que comprou numa feira de antiguidades em Ponte de Lima, e pelo qual desembolsou 900 euros.

Os seus "meninos" são todos a electricidade e apenas trabalham em ondas média ou curta, que isso de FM é uma "modernice" que veio "macular" o verdadeiro espírito da rádio.

"Aqui em casa, das rádios portugueses apenas apanho a Antena 1. O resto é tudo espanholas", refere.

Enquanto for vivo, Sansão Vaz não quer separar-se dos seus rádios, quer tê-los por perto, lá em casa, não vão eles, afirma, precisar de uma qualquer "cirurgia" urgente.

No entanto, a Câmara de Valença já manifestou interesse em que aquela colecção passe a figurar no Museu Municipal, a instalar no edifício da Assembleia Valenciana, actualmente em obras de recuperação que deverão estar prontas em meados de 2009.

"Trata-se de uma colecção muito importante e valiosa, pelo que estamos a equacionar a hipótese de a podermos integrar no espólio do Museu Municipal", disse, à Lusa, o presidente da Câmara de Valença.

Enquanto isso, Savá vai continuar a "dar vida" aos rádios que tem na sua oficina e aos que entretanto for "pescando" numa qualquer feira de antiguidades e velharias do País.

E também a assumir-se como um dos melhores compradores de seringas em Portugal, já que, como explica, só com elas é que se consegue introduzir na madeira dos rádios um produto específico que previne o ataque do bicho.

"De bicho ou de bichinho, já basta o que eu tenho por isto", sustenta.

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