Oito anos depois, "O Meu Pipi" está de volta com "Sermões"

Lisboa, 08 dez (Lusa) - "O Meu Pipi - Sermões" é a obra que marca o regresso do Pipi, um autor cuja identidade se desconhece, oito anos após a publicação do diário com textos do blogue homónimo, cheios de considerações obscenas e hilariantes sobre sexo.

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Com o estilo inconfundível do Pipi, carregadinho de erudição e asneiredo, o novo livro, que chega na sexta-feira às livrarias numa edição da Tinta-da-China, é mais um contributo para a história da literatura obscena nacional, desta vez a partir dos sermões do Padre António Vieira, e o próprio Pipi descreve-o como "uma âncora ética para pessoas de todas as idades".

Na sessão de lançamento, que decorreu na quarta-feira à noite no Frágil, em Lisboa, com apresentação do ator Miguel Guilherme, que "pregou" excertos de alguns dos sermões, a editora Inês Hugon relatou a sucessão de acontecimentos que culminaram na publicação desta segunda obra do Pipi, com quem a Tinta-da-China estabeleceu contacto apenas via e-mail.

Foi em agosto deste ano que a editora foi alertada para uma troca de e-mails entre o Pipi e o diretor de uma revista, divulgada por vários blogues e no Facebook, motivada pelo facto de a revista ter publicado um texto antigo do Pipi à revelia deste, ainda por cima sem identificar o autor.

Através do contacto de e-mail que aí era apresentado, a editora escreveu ao Pipi e "estabeleceu-se uma relação epistolar profícua, num diálogo extremamente cortês", indicou Inês Hugon.

"O autor revelou-nos que a sua atividade literária continuava em curso. Desta vez, segundo as suas palavras, tinha feito uma profunda análise da situação em que se encontra o país, concluindo que Portugal merecia uma obra pedagógica e moral em tempo de crise de valores, `uma âncora ética para pessoas de todas as idades`: os Sermões", prosseguiu.

A editora descreveu depois as diversas tentativas feitas para convencer o autor "a abrir mão, pelo menos no circuito fechado da editora, da sua identidade secreta", mas ele nunca cedeu, embora tenha deixado cair uma pista, "dizendo que não podia revelar a sua identidade, porque aos membros do clero não é permitido possuírem identidades secretas".

Os elementos da editora passaram horas a debater hipóteses que lhes ocorriam e que lhes sugeriam: Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Carlos Vaz Marques, Fernanda Câncio, João Pedro George foram alguns dos nomes aventados, "estranhamente, todos autores da Tinta-da-China", observou Inês Hugon.

"Fizemos testes, provocações, mas sem chegar a nenhuma resposta conclusiva. Tentámos enviar e-mails ao Pipi enquanto estávamos na presença de alguns destes autores, mas obtivemos dele resposta imediata, o que não exclui, como é óbvio, a hipótese de haver um comparsa do outro lado da linha", acrescentou.

Propuseram-lhe ainda que a sessão de lançamento se realizasse em dia de jogo do Benfica, "para testar outros quantos autores, mas a resposta foi positiva, sem hesitações".

"Em desespero de causa, explicámos ao Pipi que precisávamos que ele se identificasse para procedermos ao pagamento de royalties, mas o NIB [número de identificação bancária] que nos enviou corresponde a uma conta bancária em nome de Leocádia Godinho", revelou.

No final da sessão, depois da "pregação" de Miguel Guilherme, a editora lançou um último apelo ao Pipi: "Gostaríamos que aproveitasse a ocasião para finalmente se revelar. Se tiver um rebate de consciência, por favor apresente-se nos próximos segundos, indicando-me a senha que lhe fornecemos".

Fez-se silêncio, as pessoas presentes olharam em volta, com expectativa, mas o Pipi não se identificou, pelo que a festa prosseguiu com música e doçaria adequada à temática da sua nova obra.

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