Oliveira Marques foi um historiador que alargou horizontes

O historiador Oliveira Marques, 73 anos, falecido terça-feira, em Lisboa, alargou os horizontes e os campos de actuação da história, disse hoje à Lusa o director da Biblioteca Nacional (BN), Jorge Couto.

Agência LUSA /

Para Jorge Couto, foi na área medievalista que António Henrique Oliveira Marques se notabilizou, "trazendo à historiografia portuguesa o tratamento de temas inéditos, nomeadamente a Liga Hanseática e a vida quotidiana".

"Discípulo de Virgínia Rau, Oliveira Marques alargou esses campos e trouxe novos temas ao tratamento historiográfico", realçou.

Na sua opinião, Oliveira Marques "suscitou muitas vocações de medievalistas, tendo tido um papel crucial na formação de muitos investigadores, actualmente a trabalhar nas universidades portuguesas".

Fernanda Espinosa da Silva, Iria Gonçalves, José Mattoso, João Alves Dias, Luís Oliveira Ramos e Maria José Trindade são alguns dos investigadores que começaram a trabalhar com Oliveira Marques.

"Oliveira Marques - disse ainda Couto - deu também um contributo fundamental para a história da República. Anteriormente, havia essencialmente um tratamento panfletário daquele período da nossa história".

Destacou também o desempenho de Oliveira Marques como director da BN, "onde deu um impulso significativo a áreas até então inexistentes, nomeadamente a iconografia", dinamizando o trabalho da instituição "com a realização de exposições e publicações de colecções especiais".

Referiu, a propósito, a organização da exposição "300 anos do cartaz em Portugal", que era uma área "a que não se dava qualquer importância".

Actualmente, a BN possui a maior colecção de cartazes do país, "o que é um legado da passagem de Oliveira Marques por esta casa".

"Correspondência política de Afonso Costa", "Figurinos maçónicos oitocentistas", "A primeira República Portuguesa", "História de Portugal" e "Sociedade Medieval Portuguesa" são alguns dos títulos que Oliveira Marques publicou, além de ter coordenado várias obras como "Nova História Portuguesa" e "Dicionário de termos musicais", entre outras.

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