Onde Deus se cruza com o III Reich

«O Mapa do Criador», de Emilio Calderon, evoca a crise da Academia na Roma de Mussolini, enquanto a guerra civil deflagrava em Espanha, o exército nazi ocupava a capital italiana e a febre esotérica de alguns dos mais importantes dirigentes do III Reich se cruzava com a ambiguidade do Vaticano.

RTP /
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Escolhido por Antónia Kerrigan, a agente literária que descobriu Javier Serras e Carlos Ruiz Zafón, e publicado em Espanha pela mesma editora que lançou o Códice 632, de José Rodrigues dos Santos, Emilio Calderón é escritor, historiador e bolseiro da Academia Real de Espanha.

"O Mapa do Criador" evoca a crise da Academia na Roma de Mussolini, enquanto a guerra civil deflagrava em Espanha, o exército nazi ocupava a capital italiana e a febre esotérica de alguns dos mais importantes dirigentes do III Reich se cruzava com a ambiguidade do Vaticano.

Quando decidem vender parte do espólio da Academia para sobreviver, José Maria, um bolseiro da casa, e Montse, uma jovem catalã fugida de Barcelona, desconhecem que, no interior de um dos livros, se encontra um documento de grande valor político para o regime nazi.

O "Mapa do Criador", supostamente elaborado por Deus, conduz as personagens ao coração do Terceiro Reich, um castelo onde se instalou o tribunal supremo das SS.

"O Mapa do Criador" está à venda em 20 países, incluindo a China, EUA, Austrália, Rússia, Itália, França e Inglaterra.

Em três meses esgotou quatro edições em Espanha.

Emilio Calderón estará em Lisboa de 11 a 13 de Abril.

As crenças esotéricas dos nazis davam forma a um outro tipo de frente, a uma outra guerra em que a psicologia desempenhava um papel determinante.

Tão determinante que os Serviços Secretos britânicos chegaram a criar um gabinete específico para controlar e, se necessário, contrapor as conquistas nazis no campo do esoterismo.

1936. Na Roma de Mussolini, enquanto em Espanha se trava a Guerra Civil, a Academia Espanhola de Belas-Artes atravessa uma grave crise económica.

José Maria, um bolseiro da casa, estudioso da arquitectura fascista, e Montse, uma jovem catalã cuja família teve de fugir de Barcelona, decidem vender um lote de livros da biblioteca para conseguir algum dinheiro.

Ambos desconhecem que, no interior de um dos livros, se encontra um documento de grande valor inestimável para o pensamento esotérico nazi, um documento que o Vaticano tenta a todo o custo abafar.

José e Montse encontram Junio Valério Cima Vivarini, um príncipe italiano, frio e elegante, membro de uma sociedade esotérica germânica que tenta apoderar-se do mapa.

Pensando o esoterismo como uma arma de guerra fundamental do Terceiro Reich, Cálderon mergulhou no universo de símbolos e de doutrinas que animaram líderes nazis como Heinrich Himmler.

Himmler acreditava que a raça ariana não só descendia de semi-deuses como era proveniente de um continente perdido, uma espécie de Atlântida do Norte. Defendia ainda que o mundo era oco e que esta raça superior habitava o centro da terra, iluminado por um sol negro.

A sede do tribunal supremo das SS era um castelo situado num lugar com um significado esotérico.

No romance, o mapa do criador é, antes de mais, um instrumento de poder que permite às personagens pôr em prática os seus desígnios políticos.

Uma bolsa Valle-Inclán garantiu a Emílio Calderón uma estadia na Academia Real de Espanha em Roma, cuja história viria a ser inspiração para "O Mapa do Criador".

Baseando-se no estudo de Juan Maria Montijano, La Academia de España en Roma, que narra a história da instituição desde a suas origens, Calderón recria o papel da Academia a Guerra Civil, onde se refugiaram várias famílias de exilados catalães.

Cálderon evoca ainda o papel de Pio XII durante a ocupação nazi e a intervenção da Santa Aliança, isto é, dos Serviços Secretos do Estado Vaticano.

Baseando-se no estudo de Eric Frattini, intitulado La Santa Alianza: cinco siglos d espionaje Vaticano, Cálderon inclui no romance as figuras de Nicolás Estorzi e Taras Borodajkewycz, dois célebres espiões com vínculo na Santa Sé que actuaram em Roma antes da Segunda Guerra Mundial.

Emilio Calderón (Málaga, 1980) é licenciado em Historia Moderna. É fundador da editora Cirene. Em 2003 obteve uma bolsa Valle-Inclán atribuída pela Academia Real de Espanha em Roma.

Escreveu ensaios históricos, como Historia de las grandes fortunas de España e Amores y desamores de Felipe II, e, em 1995, começou a dedicar-se à literatura infanto-juvenil.

Desde 1995 publicou, entre outros títulos, La momia que me amó, El cielo encendido y otros misterios, Continúan los crímenes en Roma, Roma no paga traidores, El último crimen de Pompeya e El misterio de la habitación cerrada. O Mapa do Criador é o seu primeiro romance para adultos.

Os direitos de edição já foram vendidos para 20 países.

Calderón já viveu em Madrid, Roma e Manila. Gosta de viajar, para mudar não de lugar, mas de ilusões e de preconceitos, como dizia Anatole France.
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