"Ópera do Malandro" volta em Março aos Coliseus
Um ano depois de ter estreado em Portugal esgotando as salas por onde passou, a "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, regressa em Março aos coliseus de Lisboa e Porto, disse hoje à agência Lusa fonte da promotora.
Nove é o total de apresentações previstas: seis no Coliseu de Lisboa, de 10 a 15 de Março, e três no do Porto, de 23 a 25 de Março, a iniciar às 21:00, devido à duração do espectáculo, acrescentou à Lusa Pedro Sacramento.
Trata-se da mesma versão estreada em Portugal há um ano, embora com "um ou outro acerto" no elenco, nomeadamente o do actor Mauro Mendonça que "poderá ser substituído devido à idade", acrescentou Pedro Sacramento.
Sublinhou, contudo, que embora "seja ainda cedo" para "adiantar mais pormenores", os eventuais "acertos no elenco incluirão, igualmente, actores de peso na cena do espectáculo brasileiro".

Estreada em Portugal a 27 de Fevereiro de 2004, no Centro Cultural de Belém, a "Ópera do Malandro" passou depois pelos coliseus de Lisboa, Porto e Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, onde obrigou a sessões extra e foi vista por cerca de 45.000 pessoas, referiu Pedro Sacramento.
Foi esta razão que, segundo Pedro Sacramento, motivou a escolha dos coliseus de Lisboa e Porto "por serem salas com maior lotação".
Escrita em 1978 por Chico Buarque de Hollanda, "A Ópera do Malandro" foi inspirada na "Ópera do Mendigo" de John Gay e na "Ópera dos Três Vinténs" de Bertolt Brecth e Kurt Weil.
Encenada por Charles Moeller, a versão apresentada em Portugal em 2004, e repetida agora, é diferente da estreada em 1978, já que a realidade política e social do Brasil se alterou desde essa altura, disse à Lusa o encenador do musical aquando da estreia em 2004.
Mais na senda do "musical americano", esta versão da ópera - que quando estreou no Brasil foi considerada pela crítica "a obra-prima" de Chico Buarque -, gira em torno da guerra pelo poder e de como este transforma as pessoas, referiu Charles Moeller à Lusa.
Esta versão desmistifica, igualmente, a abordagem do "malandro", já que a boémia não é igual à dos anos 70 do século XX, acrescentou o encenador, que também assina a direcção, cenários e figurinos.
Com direcção musical de Carlos Botelho, o elenco é composto por 20 actores, designadamente Alexandre Schumacher (Max Overseas), Mauro Mendonça (Duran), Selma Reis (que substitui Lucinha Lins no papel de Vitória), Soraya Ravenle (Teresinha) e Fernando Eiras (Geni), entre outros.
A acção da "Ópera do Malandro" situa-se no submundo brasileiro dos anos 40 do século XX e gravita em torno da rivalidade entre o contrabandista Max Overseas e Fernandes Duran, o dono dos lupanários da Lapa carioca.
Os problemas agravam-se quando a única filha de Fernandes Duran foge de casa para se casar com Max Overseas, chefe de uma quadrilha de bandidos e inimigo da família Duran.
Além do sucesso do texto, que valeu a Chico Buarque o Prémio Molière, canções como "O Meu Amor", "Uma Canção Desnaturada", "Homenagem ao Malandro" e "Geni" tornaram-se clássicos da música popular brasileira.
A "Ópera do Malandro" estreou em 1978 com um elenco original que contava com os actores Otávio Augusto, Marieta Severo, Elba Ramalho e Emiliano Queiroz, entre outros.
Um cenário com três andares, três palcos giratórios e uma equipa de mais de 60 pessoas, onde se inclui uma orquestra com 12 músicos, integram a superprodução que volta a Portugal em Março.
Estreada em Agosto de 2003 no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, a "Ópera do Malandro" foi vista por mais de trezentas mil pessoas.