"Opus Dei", de Michael Walsh, investiga bastidores do movimento religioso
Depois do êxito de "O Código Da Vinci", de Dan Brown, que contesta, no terreno ficcional, o movimento religioso Opus Dei, chega às livrarias um livro de investigação sobre esta instituição e a sua influência no Vaticano.
Lançado hoje pela Difel, "Opus Dei", de Michael Walsh, foi publicado em inglês em 1989, quando estavam em curso os processos de beatificação e canonização de Josemaría Escrivá, fundador do movimento também conhecido por "Obra de Deus" (tradução de "Opus Dei") em 1928.
Escrivá foi beatificado em 1992 e canonizado em 2002, apesar de vários protestos dentro da própria Igreja Católica, onde a Opus Dei tem o estatuto de "prelatura pessoal" do Papa, cujo porta-voz também pertence ao movimento.
Com sede em Roma, o movimento Opus Dei - que tem por lema "encontrar Deus no trabalho e na vida quotidiana" - age independente da autoridade local da Igreja, apesar de pretender contribuir para a sua missão evangelizadora.
No seu livro, Michael Walsh analisa o papel e as práticas da Opus Dei no sentido de revelar se se trata de uma instituição espiritual dedicada à preservação da ortodoxia católica face à influência modernista, ou se preserva um conjunto antiquado de práticas espirituais e penitentes, como a mortificação da carne.
Antigo jesuíta e conhecido historiador da Igreja, Michael Walsh é autor de diversos livros sobre a história da Igreja e o catolicismo, incluindo "The Triumph of the Meek: Why Early Christianity Succeeded".
Organizador da edição do "Butler`s Lives of the Saints", é editor do The Heythrop Journal e bibliotecário da Heythrop College Library, na Universidade de Londres, Walsh teve o seu livro "Opus Dei" destacado pelo London Times como sendo "um estudo honesto e justo".
O movimento Opus Dei, muitas vezes designado de secreto, tornou-se mais popular após a abordagem crítica do best-seller "O Código Da Vinci", que discorre sobre as ligações do movimento ao Vaticano e contesta eventuais interesses dos seus elementos.
Na sequência do sucesso do romance de Dan Brown, diversas outras obras surgiram nas livrarias, muitas das quais entrando em confronto com as ideias expressas - ainda que através da ficção - pelo escritor norte-americano.
A adaptação do livro ao cinema, num filme homónimo com as interpretações de Tom Hanks e Audrey Tautou, conseguiu relançar a polémica, tendo o Opus Dei produzido comunicados acerca do assunto, como anteriormente fizera a propósito do romance.