Orchestra Elastique de Londres leva música improvisada a Lisboa

Londres, 03 set (Lusa) - Lisboa é a próxima paragem dos Orchestra Elastique, um grupo de música experimental e improvisada que de uma brincadeira passou a ser presença frequente no circuito alternativo londrino com convites no estrangeiro, conta Bruno Humberto.

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O português, performer e formador em teatro, é um dos cinco membros fundadores do coletivo, que se estreia em Portugal com um concerto na quarta feira no Lounge, numa versão reduzida com apenas três elementos.

Além de Humberto, que toca harmónio e produz sons com walkie talkies ou brinquedos, apresentam-se o mexicano Nahum Mantra, que toca guitarra e teremim, e Antoine Gilleron, um trompetista francês também hábil com ocarinas e a própria voz.

O som é definido como algo "entre música experimental, músicas do mundo, jazz, música para filme, performance e arte", descreveu à agência Lusa.

Mas considera que a Orchestra Elastique se resume melhor a "uma série de miúdos num jardim de infância a tocar instrumentos pela primeira vez".

Foi assim que tudo começou, ainda durante o mestrado na Universidade de Artes Goldsmiths, em Londres, que realizou entre 2004 e 2008, onde regularmente se encontrava para sessões de improvisação com Tristran Shorr, que estudava composição.

"Enchíamos o estúdio de instrumentos e tocávamos a tarde inteira", contou Humberto.

O primeiro espetáculo foi em 2009, "ainda não tínhamos uma banda", no Shunt Vaults, uma sala debaixo do viaduto ferroviário de London Bridge e onde tinha já atuado como performer.

Gradualmente, foram crescendo e formaram um núcleo de cinco, mas em palco podem chegar a ser dez músicos, conforme a dimensão da sala onde atuam.

Gostam de juntar mais pessoas "para que música seja sempre renovada e para manter o entusiasmo", acrescentando regularmente praticantes de violoncelo, violino, cítara ou baixo.

Além de várias salas no circuito alternativo da música em Londres, tocaram no Instituto de Artes Contemporâneas, no festival de documentários Open City e no festival de música Secret Gardens.

No estrangeiro, passaram por Berlim e Istambul e têm um convite para atuar no Astral, outro festival de cinema documental, na Roménia, em outubro.

"Não estamos interessados em tocar em bares", enfatiza Bruno Humberto, que prefere galerias de arte, teatros ou espaços "underground".

Receberam propostas de editoras para gravar o trabalho e foram filmados para fazer parte de um documentário sobre o movimento musical da zona leste de Londres.

Porém, têm mais prazer nos concertos ao vivo, que continuam a encarar como uma brincadeira de crianças.

"Um ano depois", garante o português, "ainda existe aquela ânsia de tocar e de em cada concerto nos surpreendermos uns aos outros, de descobrir um som novo e uma forma de tocar nova".

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