"Orfeo ed Euricide" inicia projecto Grande Ópera para Gente Pequena

Lisboa, 05 Mar (Lusa) - A ópera "Orfeo ed Euridice", que se estreia sábado no Teatro da Trindade, marca a entrada do escritor José Luís Peixoto no teatro lírico com a adaptação do libreto, num espectáculo musical destinado a crianças.

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A obra do compositor alemão Christoph Willibald Gluck é a primeira a ser apresentada no projecto Grande Ópera Para Gente Pequena, um novo conceito de espectáculo musical que se serve de técnicas pluridisciplinares para despertar nos mais pequenos o gosto pela ópera (a partir do teatro, da música instrumental, da dança e do canto).

"O que me parece que há neste espectáculo é a junção de três elementos muito importantes: uma reflexão sobre o amor, a morte e a arte, através da música", disse à Lusa o escritor, que depois de ter feito várias peças para teatro ("Anathema", "À Manhã" e "Quando o Inverno Chegar"), se estreia agora na ópera.

Orfeu é um músico que por amor de Eurídice desce aos infernos para recuperar a sua amada morta. Os deuses vão no entanto submetê-lo a uma prova - não pode olhar Eurídice.

"A ópera original em termos de duração é um espectáculo de três horas e aqui reduzimo-lo consideravelmente tentando manter o essencial", afirmou Peixoto, sublinhando que, apesar da redução (para uma hora), não houve a preocupação de tornar o texto mais acessível.

"Aquilo que tentámos evitar foi simplificar ou tornar mais acessível, porque acreditamos que as crianças conseguem apreender mais do que às vezes se pensa", adiantou.

O encenador Miguel Moreira, que trabalhou no teatro o Bando e é um dos fundadores do grupo Útero desde 1997, assinalou também que evitou "infantilizar".

"É um trabalho para crianças, mas acho que, quando trabalho para crianças, mesmo no seio do meu grupo, tento não ter de todo essa preocupação de ter de ser infantilizado", afirmou o encenador.

Em palco vão estar quatro personagens (Eurídice, Orfeu, Amor e Ninfa), mas há também uma estranha figura que começa por ser o maestro da pequena orquestra de câmara que actua neste espectáculo e que acaba por "fazer uma ligação entre vários mundos", nas palavras de Peixoto.

"Quando está na orquestra, tenta que os músicos no fundo toquem de acordo com a emoção que ele tem, mas o maestro de alguma maneira é também um encenador e é alguém que também dança", acrescentou Miguel Moreira sobre esta figura que se movimenta pela sala.

José Luís Peixoto apontou "a economia de meios grande" do espectáculo para explicar que em termos de elenco todas as participações tiveram de ser muito potenciadas e muito aproveitadas.

Natasa Sibalic (Eurídice) e Juliana Mauger (Orfeu) têm a seu cargo os papéis principais deste espectáculo com direcção musical de Luís Pacheco Cunha, que concebeu o projecto Grande Ópera para Gente Pequena.

Miguel Moreira indicou que o projecto foi pensado para escolas, com espectáculos para famílias ao fim-de-semana.

"Fiquei com uma vontade grande de voltar a ter um trabalho assim deste género", afirmou, por sua vez, José Luís Peixoto, frisando que "estes caminhos são de tentar sempre aprender".

"Orfeo ed Euridice" vai estar em cena até 27 de Abril.


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