Origem do verniz usado por Stradivarius nos violinos revelada em Beja

A origem do verniz usado por Stradivarius para envernizar os seus famosos violinos será "revelada" esta semana numa das oficinas de formação que vão decorrer em Beja para desvendar "histórias ocultas" e curiosidades de cultura científica.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /
As aplicações quotidianas de algumas secreções de origem vegetal são o tema da primeira oficina "Stradivarius e o Dragão do Jardim das Hespérides" DR

As dez acções de formação, promovidas pelo Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja (ESAB) no âmbito da Semana da Ciência Viva, que decorre em todo o país, vão realizar-se naquele núcleo museológico, entre segunda e sexta-feira.

As oficinas vão permitir "desvendar histórias ocultas e estudar curiosidades ligadas à etnobotânica e botânica económica, as áreas em que o museu desenvolve as suas actividades de cultura científica", explicou hoje à agência Lusa o director do Museu Botânico da ESAB, Luís Carvalho.

As aplicações quotidianas de algumas secreções de origem vegetal são o tema da primeira oficina "Stradivarius e o Dragão do Jardim das Hespérides", segunda-feira, a partir das 10:00, onde será "revelada" a origem do verniz usado no atelier do italiano Antonio Stradivari, também conhecido como Stradivarius, para envernizar os seus famosos violinos.

Revelando "um pouco" da história, Luís Carvalho, contou que Stradivarius envernizava os violinos com um verniz feito a partir de uma resina vermelha, que "parecia sangue" e era proveniente da dracaena-draco, uma árvore "bastante estranha" nativa das ilhas Canárias e da Madeira e de Marrocos.

Pelas suas características, explicou, "o verniz era vendido como se fosse sangue de dragão", nomeadamente daquele que guardava o jardim onde moravam as ninfas Hespérides, segundo a mitologia grega.

"O Retorno da Fénix e a Procura da Imortalidade" é a outra oficina de segunda-feira, a partir das 15:00, onde será estudada a lenda da Fénix, a ave da mitologia grega que após morrer entrava em auto-combustão e renascia das próprias cinzas.

Na terça-feira, além de estudar as plantas que produzem especiarias comuns, como a canela e a pimenta, e raras no comércio português, como os grãos-do-paraíso, na oficina da tarde "A Rota das Especiarias", os participantes vão poder conhecer "As Jóias Negras da rainha Victória" do Reino Unido, na oficina da manhã.

"Trata-se de adornos usados no período de luto da rainha e que foram manufacturados a partir de âmbar-negro ou marfim vegetal", explicou Luís Carvalho, acrescentando que estas matérias-primas vegetais "tiveram muita importância económica, durante o século XIX".

Uma visita guiada à exposição "O Passado está presente", para estudar "alguns dos mais extraordinários fósseis vivos existentes na Terra" e "outras espécies enigmáticas", como o unicórnio, é a primeira proposta de quarta-feira.

Seguem-se "Viajantes Acidentais - Histórias de Frutos e Sementes", uma oficina na qual vai ser estudada a origem e a estrutura dos principais tipos de frutos e sementes, com recurso a espécimens existentes no acervo do Museu Botânico.

Tendo como ponto de partida a viagem de Charles Darwin à América do Sul, a oficina da manhã de quinta-feira vai estudar a história de uma das mais antigas famílias botânica da Terra, a Araucariaceae, através da observação de fósseis de araucárias.

À tarde, na oficina "Erótica Naturalia", os interessados vão estudar a história do lendário coco-do-mar, "cuja forma, semelhante às nádegas femininas, enfeitiçou os navegadores portugueses, durante o Renascimento", frisou Luís Carvalho.

Nesta oficina, será apresentada uma colecção única de cocos-do-mar e um conjunto de iconografia relativa a esta "extraordinária planta", que é a "maior semente do Reino Vegetal, podendo alcançar quase meio metro de comprimento e cerca de 20 quilogramas".

"Perséfone e o Eterno Retorno", uma "viagem" por alguns mitos da Grécia Clássica, nos quais as plantas são importantes elementos das narrativas, e o "Leão da Abissínia e a Rainha de Sabá", para estudar vários produtos exóticos, como especiarias, madeiras raras e pigmentos vegetais, são as últimas oficinas, a decorrer sexta-feira.

PUB