EM DIRETO
PSD reunido em Congresso um dia depois do chumbo do pacote laboral

Orquestra Metropolitana de Lisboa estreia obra de Sérgio Azevedo

Orquestra Metropolitana de Lisboa estreia obra de Sérgio Azevedo

A Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), sob a direção do maestro Pedro Neves, estreia, na sexta-feira, no Pavilhão do Arade, em Ferragudo, no Algarve, o Concerto para Flauta e Orquestra "Giochi di Uccelli", de Sérgio Azevedo.

Lusa /

O concerto de estreia desta composição de Sérgio Azevedo, em que é solista o clarinetista Nuno Silva, faz parte da programação do 27.º Festival Internacional de Música do Algarve, que termina no próximo domingo, em Albufeira.

Num texto, divulgado pela OML, o compositor, de 48 anos, natural de Coimbra, afirma que "os andamentos [da obra] oferecem uma alternância rápido-lento e os dois andamentos lentos são estruturados de forma obsessiva".

O Concerto para Flauta e Orquestra foi escrito em 2016 e intitulado, em italiano, "Jogos de Pássaros".

Segundo Sérgio Azevedo, há na peça "uma grande concentração expressiva, uma vez que o material de base é constantemente reiterado no discurso, como que se de uma grande árvore se tratasse (o tema de base), uma árvore que é rodeada por pássaros que esvoaçam à sua volta (as volúveis figurações que rodeiam o tema)".

"A ideia da flauta como tradutora, pela agilidade e sonoridade aguda, dos pássaros, é antiga", escreve Azevedo, na apresentação da obra, assegurando que "não quis imitar deliberadamente o canto dos pássaros (exceto na cadência da orquestra no início do 5.º andamento)".

"Quis antes criar algumas metáforas musicais, como a da árvore antes referida. O movimento de conjunto de bandos de pássaros e da sua `dança` aérea coordenada também me deu algumas ideias, mas, repito, todas elas se traduziram quase sempre em estruturas musicais abstratas e não em imitações deliberadas desses fenómenos".

Sérgio Azevedo destaca "a cadência orquestral, com que se inicia o 5.º andamento", que aponta como "um momento excecional".

"Aí, cada instrumento de sopro das madeiras e algumas cordas solistas se transformam em diferentes pássaros, criando uma textura quase improvisada que precede a cadência para a flauta solo", afirma.

"O sermão de São Francisco [de Assis] aos pássaros veio-me imediatamente à memória, ao criar essa secção. Também o cântico dos pássaros, reagindo ao início do dia numa grande árvore, à frente da minha casa, contribuiu para essa atmosfera quase mística, e pela mesma razão cito, no início dessa secção, os pássaros do início de `Lever du Jour`, do bailado `Daphnis et Chloé` de Ravel".

A composição é dedicada a Nuno Inácio, 1.º flautista da OML, e também à memória do musicólogo Carlos de Pontes Leça, antigo diretor do Serviço de Música da Fundação Gulbenkian.

O compositor afirma que ao saber da morte de Pontes Leça resolveu "alterar o plano inicial da obra e escrever uma secção dedicada a São Francisco, certo de que Carlos a teria apreciado".

O programa completa-se com duas peças de Igor Stravinsky, "Danças Concertantes" e a suite do bailado "Pulcinella".

A escolha do compositor russo não foi um acaso, afirma a OML, em comunicado, "por se tratar de uma (boa) influência assumida pelo compositor português".

No sábado, a OML apresenta este programa no âmbito da sua Temporada Clássica, no Teatro Thalia, em Lisboa.

Tópicos
PUB