Os 70 anos de pintor Malangatana assinalados em Moçambique e em Portugal
O 70º aniversário de Malangatana Valente, no próximo ano, vai ser assinalado com um conjunto de actividades culturais em Moçambique e em Portugal, anunciou quinta-feira um grupo de amigos do pintor moçambicano.
O reitor do Instituto Superior e Politécnico Universitário de Moçambique (ISPU), Lourenço do Rosário, que também se associou à iniciativa, disse hoje à Agência Lusa que, no âmbito da homenagem agendada para o próximo ano, quando o pintor completa 70 anos, serão realizadas exposições e um documentário sobre a vida e obra do pintor.
"A estatura e dimensão nacional e internacional do pintor Malangatana, justifica que o seu septuagésimo aniversário seja celebrado, dentro e fora do país", sublinhou Lourenço do Rosário.
Em Portugal, as acções de homenagem de Malangatana serão coordenadas pela Fundação Mário Soares, estando prevista a deslocação de fotógrafos portugueses a Maputo, a 23 de Abril próximo, para a recolha do acervo do pintor.
A homenagem será também marcada pela conclusão das obras do Auditório de Matalane, da Fundação Malangatana e da Casa Museu Malangatane, projectos iniciados pelo pintor, mas ainda não concluídos por falta de fundos.
"Ao concluir os projectos que Malangatana iniciou, estaremos também a divulgá-lo e com isso também engrandecemos o país", frisou o reitor do ISPU.
Rosário afirmou ainda que, com a iniciativa, os amigos do pintor moçambicano pretendem ainda sensibilizar os jovens sobre as artes plásticas, pois só algumas pessoas da sociedade moçambicana é que tem contacto com este sector das artes.
"Nos programas educativos do país não temos acções que desenvolvam o gosto pelas artes plásticas", frisou o reitor do ISPU.
Estão igualmente a ser encetados esforços para a identificação de instituições interessados em levar a cabo acções de homenagem do pintor no Brasil e na Suécia, que se encontram entre os países onde o artista foi divulgado.
Malangatana Valente nasceu em 1936 e tornou-se pintor em 1960, depois de ter sido pastor de gado, criado, aprendiz de curandeiro e apanhador de bolas.
Em 1964, foi preso pela PIDE, acusado de ligações à FRELIMO, numa vaga de prisões que atingiu os poetas Rui Nogar e José Craveirinha, tendo passado dois anos na cadeia.
Após a independência de Moçambique, em 1975, Malangatana foi deputado pela FRELIMO de 1990 a 1994 e, pelo mesmo partido, membro do Conselho Municipal de Maputo.