Óscar Niemeyer, o pensador do vão livre, completa um século de vida
Rio de Janeiro, Brasil, 14 Dez (Lusa) - O brasileiro Óscar Niemeyer, um dos maiores nomes da arquitectura mundial, considerado "o pensador do vão livre", traço característico de suas obras, assinala sábado um século de vida.
O criador da capital Brasília marcará a data numa cerimónia simples, ao lado seus cinco netos, 13 bisnetos e cinco tetranetos, além da mulher Vera Lúcia, sua ex-secretária, 38 anos mais jovem, com que se casou há dois anos.
Apesar da idade avançada, trabalha diariamente, no seu escritório de arquitectura, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, com a produção de uma média de cinco projectos por mês.
Tem uma rotina simples, não faz dietas e mantém a fala mansa, mente clara e o seu estilo de evitar paredes, optar por vãos livres, sempre com curvas e estruturas que parecem desafiar a gravidade.
Num de seus mais recentes projectos, o Museu Nacional de Brasília, o arquitecto desenhou uma cúpula com 80 metros de diâmetro, um mezanino e sobre ele uma rampa com 30 metros de balanço, que serve como um mirante da cidade.
Trata-se de uma construção com uma estrutura incomum, com um vão livre, sem colunas, seis vezes maior do que a Basílica de São Pedro, em Roma.
Outro projecto recente é a futura nova sede administrativa do Governo do Estado de Minas Gerais, na região Sudeste do Brasil, onde dois edifícios vão marcar o recorde da tecnologia do betão armado no país.
O empreendimento terá seis edificações divididas em duas torres de 15 andares, cada uma, que abrigarão as secretarias de Estado e órgãos associados.
Além disso, terá um prédio de serviços, um Centro de Convivência com lojas e restaurantes, e um auditório com capacidade para 540 pessoas.
A obra, cuja construção foi iniciada esta semana, marca o retorno de Niemeyer à capital Belo Horizonte, onde, em 1940, o então jovem arquitecto transformou em realidade os seus primeiros projectos.
O chamado Conjunto Arquitectónico da Pampulha, que inclui uma igreja, uma casa de baile, um casino e um clube desportivo, assinalou o início de sua carreira.
Em Brasília, inaugurada em 1960 e considerada património cultural da humanidade pela Unesco em 1987, Oscar Niemeyer projectou a maior parte dos prédios públicos.
"Quem vai a Brasília pode não gostar, dizer que há coisa melhor. Minha busca na arquitectura é a surpresa. A obra de arte deve provocar a emoção do novo", salientou Niemeyer em recentes declarações ao jornal O Globo.
A lista de projectos inclui igualmente o Sambódromo, onde decorrem os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, e o parque Ibirapuera, em São Paulo.
Um dos exemplos mais emblemáticos das formas projectadas pelo arquitecto é o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Em formato de um disco voador suspenso, ligado ao solo por uma rampa sinuosa, o museu tem uma visão privilegiada da Baía de Guanabara.
Convicto de seu ideário político comunista, desenhou recentemente uma escultura para Havana, em Cuba, com o objectivo de denunciar o imperialismo norte-americano.
A escultura, com oito metros de extensão e projectada para resistir a furacões, é um enorme dragão que cospe fogo sobre um cubano, que mesmo assim se mantém de pé ao carregar a bandeira.
De entre as suas obras no estrangeiro, destacam-se ainda 15 prédios do bairro residencial de Hansa, na Alemanha, e a sede do Partido Comunista Francês, em Paris.
Ao longo deste ano, Niemeyer recebeu inúmeras homenagens, programas especiais de reportagens nos "media" brasileiros, aos quais não se cansa de dizer que o "espaço é parte da arquitectura".
MAN.
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