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Palácio da Ajuda faz balanço de 25 anos de aquisições e doações

Palácio da Ajuda faz balanço de 25 anos de aquisições e doações

Lisboa, 05 dez (Lusa) - Dos botões da Casa Real a uma bandeira de Fragata, passando por pratas e livros, o Palácio Nacional da Ajuda (PNA), em Lisboa, inaugura na terça-feira uma exposição de balanço de 25 anos de doações e aquisições.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

A exposição, que reúne mais de 500 peças, entre pratas, pratas douradas, vidros, cristais, loiças e livros, só abrirá oficialmente ao público na quinta-feira.

Em declarações à Lusa, a diretora do PNA, Isabel Silveira Godinho, qualificou de "fundamental" o empenho da sociedade civil, através do mecenato e dos "muitos doadores anónimos", no enriquecimento das coleções do espaço museológico, antiga residência régia.

Isabel Silveira Godinho referiu que este empenho permitiu recuperar muitas peças da Casa Real que fazem parte agora das coleções nacionais.

A exposição "Palácio Nacional da Ajuda - 25 anos de aquisições", que integra o espaço museológico do Palácio, é fruto dessas doações, apoios e mecenas, orçando, segundo números avançados pela diretora, em 8.200 euros.

"O catálogo é mini, não é como os habituais, mas está em consonância com os tempos que vivemos", referiu.

Há 30 anos à frente do PNA, Isabel Silveira Godinho foi pioneira em promover a angariação de fundos para aquisições de peças essenciais às coleções do museu e incentivar o mecenato cultural. A iniciativa veio da experiência que tinha da prática nos Estados Unidos.

"Era absolutamente normal nos Estados Unidos e aqui era uma coisa que até então as empresas não conheciam. Dava-se dinheiro para outras áreas, nomeadamente solidariedade social, futebol, mas não para a cultura", afirmou.

"Houve uma empresa, logo no começo, que achava um ato de vergonha apresentar nas Finanças um documento para isenção fiscal pelo mecenato prestado ao palácio", contou.

Guarda hoje várias histórias, mas destaca como crucial "o bom relacionamento com antiquários, alfarrabistas e leiloeiros", estando sempre atenta ao que aparece no mercado e no interesse que pode ter para a espólio do museu.

A diretora conta centenas de doações e aquisições ao longo dos 25 anos, desde o tapete da entrada, "doação de um particular", à última peça da exposição, uma tela D. Pedro V.

A primeira aquisição, recordou, foi em 1985, um prato com as efígies régias de D. Carlos e D. Amélia, "a mais recente na sexta-feira, uma bandeira da Marinha Real que estará exposta no quarto de D. Luís, acompanhada por dois remos e ainda por uma miniatura em prata da corveta `Bartolomeu Dias`".

O monarca era apaixonado pelo mar e pela Marinha, onde aliás prestara serviço militar antes de subir ao Trono, em 1861, por morte do irmão, D. Pedro V.

D. Luís e D. Maria Pia foram o casal que "moldou o palácio e o tornou a sua marca". Aliás, esta exposição integra a evocação do centenário da morte da Rainha Maria Pia, que ali sempre viveu.

De todas as peças adquiridas, "algumas até talvez mais dispendiosas", Isabel Silveira Godinho destacou a coleção de aguarelas de Henrique Casanova, que "mostram os apartamentos e as salas do palácio tal qual estavam no tempo de D. Luís" e que "foram fundamentais para se conhecer melhor o que era o paço real".

A exposição que agora desvenda mais da coleção integra, por exemplo, o quadro "A mão do Rei", alusivo a D. Luís, uma encomenda do Palácio Nacional da Ajuda, em 1989, ao pintor José Guimarães, por ocasião do centenário da morte do monarca.

A responsável destacou o "interesse histórico e documental" da coleção e referiu a sua importância para o projeto de restauro "Uma sala/um mecenas", que tem dinamizado o museu nos últimos 22 anos.

A sala de baile é o mais recente restauro, recuperando-se tal como a idealizou D. João VI que gizou a decoração do Palácio Nacional da Ajuda a partir do Brasil, onde se encontrava a Corte, a salvo das Invasões Napoleónicas.

"Esta sala estará pronta dentro de duas semanas", adiantou a diretora à Lusa.

O Palácio Nacional da Ajuda foi uma das últimas residências régias, onde viveu até à proclamação da República, em 1910, a Rainha Maria Pia, viúva do Rei D. Luís e avó do último Rei de Portugal, D. Manuel II.

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