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Palmilha Dentada estreia, no Porto, musical "A Cidade dos Que Partem"

Palmilha Dentada estreia, no Porto, musical "A Cidade dos Que Partem"

Porto, 29 Jan (Lusa) - O Teatro Nacional São João (TNSJ) e o Teatro da Palmilha Dentada estreiam sexta-feira, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, o musical "A Cidade dos Que Partem", de Ricardo Alves, uma alegoria extensível ao Portugal (e)migrante.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Adequadamente descrito pelo seu encenador como "uma comédia musical com forte dimensão de crítica política e social" esta é a primeira grande produção, para uma sala tradicional de teatro, da companhia portuense Teatro da Palmilha Dentada.

Fundado em 2001, o Teatro da Palmilha Dentada já apresentou 15 produções artísticas, direccionando o seu trabalho sobretudo para áreas como o teatro de rua, café-teatro, a rádio e também o teatro de sala, embora em menores dimensões.

A companhia fabrica os seus próprios textos e tem como aposta desenvolver o seu trabalho com jovens profissionais.

A acção, a cujo ensaio geral a Lusa assistiu, conta a história de um jovem, Litos, membro do grupo de danças e cantares da sua terra e da banda filarmónica local (onde toca trompete) que se presume, pelo sotaque (e pelos trajes), ser de uma aldeia típica transmontana.

Sentindo-se limitado resolve partir para a cidade - presumivelmente para Porto - para trabalhar da oficina de mecânica de um tio, na mira de maiores oportunidades, já que a sua terra obviamente oferece pouco mais que a possibilidade de continuar a guardar vacas, enquanto à noite e aos fins-de-semana canta e dança no grupo folclórico ou toca na banda local.

Com a sua inseparável trompete, parte para a cidade, onde rapidamente se integra. Não só é admitido prontamente na oficina do tio, como consegue facilmente integrar como trompetista numa banda de rock de garagem, em vias de conseguir um contrato discográfico.

Neste processo, passam pelo palco vários personagens, desde o político que para assegurar a eleição se dispõe a comprar para a cidade a primeira máquina da felicidade, que vai garantir o bem estar perpétuo aos cidadãos, até ao empresário que traz consigo a fórmula que vai garantir o estrelato ao grupo.

Mas a realidade é que a máquina da felicidade não funciona com "aqueles que não sabem rir" e a fórmula do empresário para levar o grupo ao estrelato, um novo "look" radical para a apresentação em palco, se revela um fracasso, porque dificulta a própria execução musical.

No rescaldo destes fracassos, Litos encontra-se de novo numa cidade em que o que está na mente de todos (os seus companheiros do grupo de rock) é a alternativa de "partir para a capital", a nova miragem onde tudo acontece e todas as oportunidades moram e a felicidade certamente mora.

O espectáculo evolui entre canções, entremeadas com diálogos, com muito humor, ironia e sátira à mistura, com críticas mordazes que abrangem um amplo espectro de personagens e situações.

De facto todas elas são comuns a cada aldeia e a cada cidade. E aqui a referência óbvia ao Porto, presente na acção, é apenas acessória, já que a acção poderia passar-se em qualquer outra cidade intermédia.

"O Porto é aqui utilizado mais como um símbolo das cidades modernas e dos seus problemas, de forma que tudo que ali se diz, todas as piadas e situações podem ser extrapoladas para qualquer outra cidade", disse à Lusa Ricardo Alves, que escreveu o texto a meias com Salgueirinho Maia.

Para o encenador, "no fundo a questão é esta: quando nos sentimos insatisfeitos, o que é que se faz? Partimos para outro lugar ou ficamos onde pertencemos e lutamos para conquistar aqui mesmo a nossa felicidade?".

É esta a questão que fica - e que se pretende suscitar - no espírito do espectador no final do espectáculo.

Ricardo Alves, 44 anos, dos quais 20 dedicados ao teatro, reconheceu que este projecto é, para o Teatro Palmilha Dentada, essencialmente uma companhia de café-teatro, "um salto em frente", em termos de rigor e complexidade.

A composição musical ficou a cargo de um conjunto de músicos de diferentes gerações, mas todos eles com ligações à cidade do Porto: Hélder Gonçalves (dos Clã), João Lóio e Manuel Cruz (ex-Ornatos Violeta), Rui Lima (Minimal Kids) e ainda um conjunto de músicos ligados ao teatro, nomeadamente Alfredo Teixeira, Carlos Adolfo (Teatro Art`Imagem), Rodrigo Santos e Sérgio Martins.

Ricardo Alves salientou que "a própria música reflecte um conjunto de tendências, desde as rurais, uma vez que a acção se inicia no campo, até às mais urbanas".

O CD que reúne os temas originais desta produção vai estar disponível a partir do dia da estreia do espectáculo.

"A Cidade dos Que Partem" vai permanecer em cena até 28 de Fevereiro, de terça a sábado, às 21:30 e, aos domingos, às 16:00.

PF.

Lusa/Fim


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