Panificadora de Nadir Afonso destaca-se entre edifícios abandonados em Vila Real
Vila Real, 15 fev (Lusa) -- A panificadora projetada pelo arquiteto Nadir Afonso, em 1965, destaca-se entre os edifícios abandonados e inacabados na cidade de Vila Real, que são considerados "manchas urbanísticas" e alvo de queixas e críticas por parte da população local.
É a única obra assinada pelo arquiteto Nadir Afonso em Vila Real. O edifício da panificadora destaca-se pela sua linha moderna, para a época, e até pela sua localização, perto da universidade.
Trata-se de uma propriedade privada, mas que está deixada ao abandono, com os vidros partidos, tomado pelas silva e pelo lixo, que ali se foram acumulando ao longo dos anos.
"Lembro-me de haver aí uma padaria. Vinha muitas vezes aí ao pão. Trabalhava aqui muita gente, sim senhor", afirmou Maria Silva, que reside perto do edifício.
Agora, sempre que por ali passa, a caminho de casa, diz que "é um desgosto" que tem ao "ver isto assim, tudo destruído".
O vereador do urbanismo da Câmara de Vila Real, Adriano Sousa, vê com bons olhos a requalificação da panificadora, que classifica como uma referência na cidade, e adiantou que, em breve, pretende reunir com o proprietário no sentido de serem encontradas soluções.
O edifício de Nadir Afonso é um dos que integram a lista de imóveis abandonados e inacabados na cidade de Vila Real, mas onde se contabilizam ainda outras "obras emblemáticas" como o hotel do parque ou o centro transfronteiriço.
Bruno Botelho tem um restaurante no bairro dos Ferreiros, com vista direta para o hotel, que começou a ser construído há cerca de 30 anos. Não sabe porque é que a obra parou, apenas conhece as muitas queixas que ouve.
"Aquilo está tudo abandonado e contam-se muitos casos da polícia ir atrás de pessoas que se vão esconder para ali, alguns toxicodependentes e isso", contou.
Há alguns anos foi anunciada a instalação de um hospital privado naquela estrutura.
"Nós até ficamos contentes quando meteram o placard publicitário do hospital porque de certeza que o negócio iria melhorar, todos nós íamos ganhar com isso", sublinhou Hugo Botelho.
Gorada a possibilidade de se transformar numa unidade de saúde, a prioridade agora é, segundo o vereador, evitar que "as pessoas vão lá para dentro".
"Se os proprietários não fizerem nada, a câmara pondera a hipótese de ser ela própria a vedar, fechar, aquele espaço, para evitar que seja um espaço menos recomendável em pleno espaço urbano da cidade de Vila Real.
Mais à frente, mesmo ao lado do Hotel Miracorgo, o município de Vila Real começou a construir um centro transfronteiriço, cuja obra parou por causa de problemas financeiros do empreiteiro.
"Os nossos clientes reparam que a obra está incompleta. Causa um impacto visual muito grande e esteticamente funciona muito mal", salientou Vítor Castro, funcionário naquela unidade hoteleira.
Adriano Sousa explicou que o projeto para um centro transfronteiriço "está encerrado" e que, agora, poderá ser aproveitada para a instalação de uma unidade de saúde.
"É um espaço que de facto nos preocupa, que não dá uma boa imagem da cidade e nós temos todo o interesse em que se venha a ocupar aquele edifício, seja através de uma iniciativa da câmara ou de outros serviços como é o caso da Administração Regional de Saúde (ARS)", salientou.