Parlamento recorda referência no ensino e investigação em literatura
O parlamento aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte da professora catedrática Maria Alzira Seixo, destacando o seu papel na investigação e divulgação nas áreas de crítica literária e estudos humanísticos.
O voto, apresentado pelo Livre, destaca o percurso biográfico e académico da investigadora, que faleceu na terça-feira, aos 84 anos.
Nascida no Barreiro, a 29 de abril de 1941, foi professora, licenciou-se em Filologia Românica, tendo sido aluna, por exemplo, de Vitorino Nemésio e David Mourão-Ferreira.
Mais tarde, doutorou-se em Literatura Francesa, com Roland Barthes como coorientador desse doutoramento em Paris.
A partir de 1966, foi docente de Literatura Francesa e de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desta instituição foi também diretora entre 1996 e 1998. Mais tarde, foi ainda professora convidada no Ensino Superior de França, da Polinésia Francesa e dos Estados Unidos.
Autora de mais de uma dezena de livros de ensaio, investigação e poesia, recebeu por duas vezes o Prémio P.E.N na vertente do ensaio: "A Palavra do Romance", em 1987, e "Outros Erros", em 2002.
Além disso, foi também agraciada, em 2002, com o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores para o livro "Os Romances de Lobo Antunes", autor por cuja publicação da obra definitiva foi responsável.
"A qualidade e profundidade do seu trabalho conjugaram-se para que fosse distinguida como Dama e Oficial das Palmas Académicas em França e, em Portugal, como Grande Oficial do Infante D. Henrique", refere o texto.
O voto hoje aprovado recorda-a ainda como "uma opositora firme ao Acordo Ortográfico", que deixa "marcas indeléveis na investigação sobre Literatura Portuguesa Moderna, Literatura Francesa Clássica e Contemporânea e de Pedagogia Literária".
"A Assembleia da República manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Maria Alzira Seixo, presta a sua homenagem a esta referência do ensino e da investigação em Literatura Portuguesa e Francesa, endereçando sentidas condolências à sua família, amigos e colegas", refere-se.
As exéquias fúnebres decorrem hoje, em Lisboa, com uma vigília a partir de 09:30 na sala D do Edifício Saudade, junto ao Cemitério de Carnide, seguida de cerimónia de cremação, pelas 14:00, naquele cemitério.
O parlamento aprovou ainda de forma unânime outro voto de pesar, apresentado pela Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude, pelo fotógrafo e historiador da fotografia José Pessoa, que faleceu no passado dia 06 de dezembro, aos 77 anos.
Iniciou a sua atividade profissional em 1971, no então Instituto José de Figueiredo, onde se especializou no exame científico de obras de arte e foi responsável pelo Laboratório Fotográfico e Radiográfico.
Foi professor no primeiro Curso de Técnicos de Conservação e Restauro do Instituto José de Figueiredo, no Museu Monográfico de Conímbriga, na Universidade Católica Portuguesa e no Museu do Douro.
Colaborou com o Museu do Douro e presidiu à Associação Memória Viva José Pessoa até ao seu falecimento.
Foi membro da Associação Portuguesa de Arqueólogos. Historiador de Fotografia e Comissário de muitas exposições em museus nacionais sobre espólios fotográficos inéditos de autores.
Colaborou, durante oito anos, na instalação e funcionamento do Arquivo Fotográfico da Fundação Mário Soares, e integrou o comissariado da exposição Engenho e Obra, promovida pelo Instituto Superior Técnico em 2003.
José Pessoa era militante do PCP desde 1981, integrando a Direção do Setor Intelectual da Organização Regional de Lisboa e a Comissão Nacional de Cultura do PCP.