Património cultural angolano da escravatura pode ter aproveitamento turístico
O património cultural angolano relacionado com o tráfico negreiro e a escravatura possui um importante valor que deve ser aproveitado para a promoção do turismo cultural e de memória, defendeu hoje, em Luanda, o historiador Camilo Afonso.
"Angola tem muito para oferecer em cada província tocada pelo tráfico de escravos", afirmou Camilo Afonso, numa intervenção que proferiu no encontro sobre turismo cultural em Angola, que decorre em Luanda até sexta-feira.
Para o historiador angolano, "reconhecer o valor histórico do tráfico negreiro e da escravatura é contribuir para a preservação da memória dos povos que foram atingidos", além de permitir "arrecadar para o país meios financeiros que permitirão garantir o desenvolvimento do turismo e da cultura".
Angola, que foi um dos países onde o tráfico de escravos assumiu maiores dimensões, possui, segundo Camilo Afonso, 23 monumentos e sítios identificados em nove províncias que podem ser considerados de interesse para a promoção do denominado turismo de memória.
A Casa dos Escravos do Ambriz, na província do Bengo, os sítios históricos de concentração e embarque de escravos na província de Cabinda, o antigo Porto de Pinda, na província do Zaire, e o Palácio Dona Ana Joaquina, em Luanda, foram alguns dos locais referidos pelo historiador.
Nesse sentido, Camilo Afonso considerou importante a participação de Angola no projecto denominado "A rota dos escravos", uma iniciativa conjunta da UNESCO e da Organização Mundial do Turismo.
Este projecto visa promover o turismo cultural através de locais relacionados com a escravatura, de forma a permitir um melhor conhecimento da realidade daquela época e, consequentemente, um novo relacionamento entre as diferentes partes que estiveram envolvidas naquele processo.
"Nesta fase da reconstrução de Angola e de relançamento do desenvolvimento cultural e turístico do país, é a altura ideal para que possamos cumprir os objectivos deste grande projecto inter-cultural", afirmou.
Na perspectiva de Camilo Afonso, "divulgar o património cultural sobre o tráfico negreiro e a escravatura em Angola é legar para o futuro uma história nobre e abrangente sobre este acontecimento da história da humanidade".
Com esse objectivo, defendeu a necessidade de ser feita a identificação dos sítios e lugares de memória, a reabilitação dos monumentos e a recolha e sistematização de dados que permita a edição de roteiros e de material de apoio, como CD-ROM e DVD.
A elaboração de cartas turísticas e de mapas, a criação de infra-estruturas hoteleiras e a formação de guias turísticos especializados foram também defendidas pelo historiador.