Património da Villa Romana de Freiria alvo de roubos e vandalismo (C/FOTOS e VIDEO)

Cascais, 09 Jan (Lusa) -- A Associação Cultural de Cascais denunciou hoje sucessivos roubos de património arqueológico da Villa Romana de Freiria, São Domingos de Rana, e consequente vandalização das estruturas arquitectónicas existentes no local.

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Segundo o presidente da associação, o arqueólogo Guilherme Cardoso, recentemente foram roubadas duas bases de coluna e um fragmento do mosaico polícromo que estavam cobertas por tela e terra, tendo os "caçadores de tesouros" escavado com ferramentas e conseguido retirar os elementos arquitectónicos da zona mais nobre da casa senhorial.

"Há também buracos noutras zonas. Há longos anos que esta área tem sido alvo de caçadores de tesouros e desde 1985 que encontramos buracos feitos por eles a procurar bens arqueológicos para colecções particulares", disse à agência Guilherme Cardoso.

De acordo com o arqueólogo, o facto de a Villa Romana de Freiria se encontrar num local ermo, embora vedado, impediu que "os ladrões tenham sido vistos", tendo a câmara de Cascais, responsável pelo local, sido já avisada do sucedido, assim como a GNR, aquando do primeiro roubo.

"A nível monetário o valor [dos artefactos roubados] é diminuto mas a nível cultural e histórico é enorme. Ficámos mais pobres e as pessoas que levaram isto não ficaram muito mais ricas, mas a destruição que fizeram foi muito grande", sublinhou.

Guilherme Cardoso adiantou que esta é uma vila citada a nível internacional, de grande importância, pois mostra uma continuação de ocupação desde a pré-história até ao período islâmico.

"No século VI antes de Cristo, no final da primeira ocupação da Idade do Ferro, teve uma ocupação que perdurou até ao período romano. Já no século primeiro antes de Cristo instalou-se aqui uma comunidade romana que se foi desenvolvendo até ao VIII", assinalou o arqueólogo.

Numa visita ao local, que antigamente seria uma vila agrícola, pode verificar-se a existência de ruínas em bom estado de conservação de termas (mais tarde transformadas em indústria), celeiros, lagares, casas com lareiras e um edifício com pelos menos um andar e que serviria como miradouro.

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