Paulo Branco, Scorsese, Noémia Delgado, Azevedo Gomes, Shimizu e Bardot na Cinemateca

Paulo Branco, Scorsese, Noémia Delgado, Azevedo Gomes, Shimizu e Bardot na Cinemateca

A Cinemateca Portuguesa inicia em setembro "um dos maiores ciclos jamais realizados", dedicado ao produtor Paulo Branco, "figura indelével do cinema português", ciclo que se vai "estender durante os próximos anos", anunciou hoje este organismo para salvaguarda do património cinematográfico.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A retrospetiva tem início no dia 11, com a exibição de "Non ou a vã glória de mandar", de Manoel de Oliveira, e contará com a presença do produtor em vários momentos para falar com espetadores e convidados. A atriz e realizadora francesa Fanny Ardant também participará nos primeiros momentos deste ciclo, em setembro, refere uma nota da Cinemateca sobre a programação de setembro a dezembro, hoje divulgada.

"A rentrée da Cinemateca Portuguesa abre, e prolonga-se, com uma tónica em nomes notáveis do cinema internacional. De realizadores (Martin Scorsese, Noémia Delgado, Margaret Tait, Lino Brocka, Rita Azevedo Gomes, Frank Borzage, Hiroshi Shimizu) a atrizes, como Brigitte Bardot, e produtores de cinema (Paulo Branco). As figuras destacadas e celebradas possuem, em comum, um papel marcante esculpido pelas suas obras", lê-se no anúncio da programação.

Martin Scorsese, com a exibição de "O irlandês", é outro dos realizadores em destaque em setembro. Haverá ainda as parcerias já anunciadas em colaboração com os festivais MOTELX, Queer Lisboa e Operafest.

Em outubro, as protagonistas são três grandes figuras do cinema europeu: a realizadora portuguesa Noémia Delgado, a escocesa Margaret Tait e a atriz Brigitte Bardot, que morreu em dezembro do ano passado.

A primeira retrospetiva é dedicada a Bardot, um dos maiores ícones da Nouvelle Vague e dos ecrãs franceses nas décadas de 1950 e 1960.

No âmbito da apresentação da obra de mulheres "cujo trabalho teima em ficar afastado do cânone cinematográfico", mas que merece toda a atenção, a Cinemateca exibirá "Máscaras", de Noémia Delgado, "filme que a deu a conhecer" a realizadora "como autora maior de um cinema etnográfico e poético, a par de uma obra em grande parte feita para televisão".

Da cineasta será também exibida a série "Contos Fantásticos", com a Cinemateca a dedicar-lhe "uma retrospetiva extremamente completa, depois da exposição que lhe foi dedicada em 2024".

"Ligada à geração do Cinema Novo Português", a prática de Noémia Delgado "estendeu-se também às artes plásticas e à escrita". "O seu trabalho é marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes, e este programa resultará também na publicação de uma edição em seu torno", refere a Cinemateca.

Margaret Tait também terá uma retrospetiva dedicada à sua filmografia, em outubro, numa mostra de filmes realizados entre as décadas de 1950 e 1990, que a realizadora assinou com nomes como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Margaret Tait estará em Lisboa a acompanhar o ciclo, adiantou a Cinemateca.

Outubro dará ainda a conhecer a obra de Lino Brocka, "foco de uma ambiciosa retrospetiva organizada com o Doclisboa, em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra" do cineasta.

Com uma "obra bastante desconhecida e praticamente inédita em Portugal", Brocka também será alvo de um "Cadernos da Cinemateca", que acompanha o ciclo.

Em novembro, será a vez de Rita Azevedo Gomes ocupar a cadeira de realizadora convidada, num programa que resulta da colaboração com a cineasta para projeção dos seus filmes emparelhados com títulos por si escolhidos, num diálogo cinéfilo. Este programa conta, entre outros convidados, com o cineasta, encenador, ator, tradutor, músico e crítico Pierre Léon, que esteve no 12.º Lisbon Film Festival (LEFFEST), em 2018.

Frank Borzage, "mestre do melodrama, com um percurso iniciado ainda no tempo dos pioneiros e que termina no início dos anos 1960", terá também uma retrospetiva, em novembro, "que recuperará muitos dos títulos da bastante abrangente retrospetiva que lhe foi dedicada no início da década de 1990".

"Dada a magnitude da obra do realizador, o ciclo prosseguirá até janeiro de 2027, e contará com a publicação de uma edição em seu torno", sublinha a Cinemateca.

Para dezembro, arrancará a primeira parte da retrospetiva Hiroshi Shimizu, "certamente um dos momentos altíssimos da programação de 2026-2027", adianta a Cinemateca.

"Depois de Ozu, Mizoguchi, Kurosawa e Naruse, é chegada a vez de mostrar a obra de um dos mestres do cinema nipónico, com um programa extraordinariamente abrangente (será a segunda maior mostra de sempre fora do Japão depois da programada pela Cinémathèque Française e com filmes que não foram aí exibidos) -- contando com a colaboração do National Film Archive of Japan", segundo o comunicado da Cinemateca.

A decorrer em dezembro de 2026, com segundas passagens planeadas para janeiro e março de 2027, o programa contará com convidados especialistas, como o jornalista e programador Clément Rauger, que já colaborou com a Cinémathèque Française na organização de retrospetivas de realizadores como Kenji Misumi, Tai Kato e Hiroshi Shimizu. Desta iniciativa será também publicado um livro-catálogo.

Expectável na programação da Cinemateca será também a continuidade do ciclo "Viagem ao Fim do Mudo", que assinala o centenário da estreia do primeiro filme sonoro, "The Jazz Singer", ocorrida em outubro de 1927.

Até ao final desse ano, a Cinemateca planeia três sessões por mês dedicadas "a clássicos e filmes recuperados do esquecimento", porque a época do cinema mudo "ainda é hoje um campo de trabalho ativíssimo no domínio da `arqueologia` do cinema, e do trabalho de recomposição e restauro, que periodicamente traz, por paradoxal que pareça, `novidades` e a redescoberta de filmes que ninguém via há mais de cem anos. Uma viagem ao fim do mudo, ou à doçura dos dias antes da revolução sonora: esta é a proposta".

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