Pavarotti foi "um dos melhores tenores da história" - José Carreras
O tenor espanhol José Carreras classificou Luciano Pavarotti, falecido esta madrugada de um cancro do pâncreas, aos 71 anos, como "um dos maiores tenores da história, apenas comparável a muito poucos artistas", além de o considerar um "grande amigo".
"É um dia muito triste, foi trágico, é uma grande perda, não apenas por ser uma das melhores vozes, mas também por ser um amigo", declarou Carreras na cidade sueca de Karlstad, onde quarta-feira à noite deu um concerto com a Sinfónica de Värmland.
Carreras, que formou com Pavarotti e Plácido Domingo o trio "Os três tenores", destacou ter tido sempre uma "excelente relação" com o cantor italiano e confessou-se "feliz" por tê-lo conhecido.
O facto de a sua morte ser esperada, não a faz menos "dolorosa", observou Carreras.
"Este é - disse ainda - um momento triste, mas devemos recordá-lo como o grande artista que era, um homem extraordinário, uma personalidade carismática, muito bom amigo e grande jogador de póquer".
Também a soprano espanhola Montserrat Caballé lamentou a morte de Pavarotti, seu amigo e "colega", descrevendo-o como "um homem repleto de bondade para todos, tanto as crianças como os mais desafortunados".
Para Caballé, que muitas vezes contracenou com o tenor italiano, este era uma pessoa que "não precisava de fotos para se destacar" e a quem interessava apenas "fazer bem o seu trabalho - e, isso, fazia-o melhor que ninguém".
Caballé recordou que, quando esteve doente em 1985, Pavarotti a visitou. Ele - contou - "esteve a meu lado, veio ver-me, dizia-me que as pessoas fortes nunca ninguém as levaria".
A última vez que a cantora falou com Pavarotti foi em Julho. "Ele disse-me - recordou - que estava contente porque se sentia melhor. Era um homem muito forte e, francamente, não esperávamos isto agora".