PCP celebra 90 anos de Ary e Raimundo a pensar em especial nas novas gerações
O PCP lançou hoje as comemorações dos 90 anos do nascimento do poeta José Carlos Ary dos Santos, que se estenderão até 2027, com um programa que inclui sessões de debate, um concerto e uma exposição.
Numa iniciativa no Largo de Chafariz de Dentro, em Alfama, Lisboa, não muito longe da Rua da Saudade, onde o poeta morou, o secretário-geral do PCP enquadrou estas comemorações do "artista, publicista, declamador, comunista" como "um desafio a todos, para recordar e reencontrar a sua obra", mas a pensar em especial nas novas gerações.
Segundo Paulo Raimundo, "acima de tudo, são um desafio para as novas gerações, para que conheçam e tomem nas suas mãos cada palavra, cada poema", e "para que tomem partido, tomem nas suas mãos a militância e um ideal cuja bandeira, como diria Ary dos Santos, subirá sempre mais alto".
O secretário-geral do PCP, que discursou depois de um momento cultural e de uma breve apresentação de alguns pontos do programa de comemorações, referiu que não se atrevia a tentar adivinhar "que palavras utilizaria hoje Ary para descrever a situação política, social e económica" de Portugal e do mundo.
"Mas arrisco e tenho quase a certeza que é possível imaginar a sua força e a sua acutilância na denúncia de um país submisso nas mãos e ao serviço dos grupos económicos. Arrisco imaginar a sua indignação face às injustiças crescentes de uma sociedade com 300 mil crianças na pobreza e que ao mesmo tempo produziu 6 mil novos milionários", declarou, a seguir.
Paulo Raimundo imaginou ainda como o poeta e militante do PCP reagiria contra as dificuldades no acesso à saúde e à habitação e "a forma mordaz como desmantelaria a demagogia, a mentira e a hipocrisia dos novos velhos charlatães, e denunciaria a loucura da guerra e do militarismo".
"Arrisco imaginar a sua paixão, a sua alegria, o fervor nas palavras que só ele encontraria para descrever a grandiosidade, a importância e significado social, político e ideológico da vitória da luta dos trabalhadores com a derrota do pacote laboral", acrescentou.
O secretário-geral do PCP recordou Ary dos Santos como "poeta, letrista, publicista, amigo, companheiro, camarada" e defendeu que "a sua obra não é do passado", mas "sim deste presente que hoje constrói o futuro".
O PCP vai celebrar os 90 anos do nascimento de Ary dos Santos (1936-1984), desde logo, na 50.ª edição Festa do Avante, no início de setembro, em vários espaços do recinto. O programa de comemorações vai-se estender até abril do próximo ano, sob o lema "Poeta da Revolução".