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Peça de Siza Vieira promove mármore português em Nova Iorque

Peça de Siza Vieira promove mármore português em Nova Iorque

O arquiteto Siza Vieira apresenta hoje em Nova Iorque uma peça em mármore e mogno da sua autoria, a expor num edifício que projetou em Manhattan, numa iniciativa promovida pelo `cluster` da pedra portuguesa, que bateu recordes em 2018.

Lusa /

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente executivo da Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins (Assimagra) explicou que a iniciativa se integra no programa `Primeira Pedra`, que "explora o potencial da pedra portuguesa através do desenvolvimento de aplicações inovadoras para este material, destacando a qualidade e a vasta indústria que está ligada à respetiva extração e transformação".

"O objetivo deste programa é promover a versatilidade e capacidade do `cluster` português da pedra no mundo, o seu potencial e grau de especialização, cujo valor já é reconhecido de forma transversal, tanto ao nível do `design` como da arquitetura", refere Miguel Goulão.

Desde 2016, este programa já contou com a participação de vários arquitetos e artistas plásticos nacionais e internacionais, destacando a associação "três projetos centrais de pesquisa e desenvolvimento -- `Resistance`, `Still Motion` e `Common Sense` - que foram materializados através de exposições e apresentações em Veneza, Milão, Weil am Rhein, São Paulo, Londres e Nova Iorque".

Na iniciativa agendada para as 16:30 de hoje em Nova Iorque (21:30 em Lisboa), e que conta com o apoio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o arquiteto português Siza Vieira apresentará a peça `Hell`s Kitchen Bench`, um banco feito de mármore e mogno portugueses que ficará no átrio de um edifício por si projetado e atualmente em construção na ilha de Manhattan.

A peça resultou de um desafio feito pela Assimagra e pela Experimenta Design para que Siza Vieira desenvolvesse "uma obra dentro da própria obra", tendo o arquiteto respondido "com a criação de uma peça de mobiliário, um banco feito a partir de mármore branco proveniente da Vigária, em Vila Viçosa".

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente executivo da Assimagra diz que "é com imensa honra que o `cluster` de recursos minerais portugueses oferece esta peça feita em pedra portuguesa à torre de Álvaro Siza na cidade de Nova Iorque".

"O `design`, concebido por um dos melhores arquitetos do nosso tempo, é um exemplo maravilhoso da qualidade, versatilidade e beleza da pedra portuguesa, bem como uma expressão exemplar da excelência desta indústria", sustenta.

De acordo com Miguel Goulão, "2018 foi o melhor ano de sempre para o `cluster` da pedra portuguesa, desde que há registo", tendo as exportações aumentado 8,75% face a 2017, para 390 milhões de euros, e perspetivando-se novo recorde para 2019, com as vendas para o exterior a crescerem 16% em termos homólogos até julho.

No ano passado, os EUA foram o quarto principal mercado das exportações da pedra portuguesa, num `ranking` liderado pela França e onde a China e a Espanha surgem na segunda e terceira posições, respetivamente.

Com um volume de negócios na ordem dos 1,2 mil milhões de euros e um total de 2.600 empresas e 16.000 trabalhadores, o setor exportou em 2018 perto de 23 milhões de euros para o mercado americano, um aumento de 8,78% face ao ano anterior, enquanto as vendas para França subiram 15,91% e ultrapassaram os 79 milhões de euros.

Os dados da Assimagra apontam o calcário como a pedra que mais procura tem nos EUA, representando 55% do total das exportações, seguido do mármore com 37% e do granito com 6%.

Apresentado como "um programa de pesquisa experimental internacional que explora o potencial da pedra portuguesa", o `Primeira Pedra` tem vindo, nos últimos três anos, a juntar a produção ao `design` e estética dos vários tipos de pedra, convidando para o efeito vários protagonistas a desenvolverem trabalhos nas áreas da arquitetura, `design` e arte que enaltecessem "a qualidade, durabilidade e a elegância cromática da pedra natural nacional".

O propósito central é "a divulgação da pedra portuguesa, bem como a promoção da indústria como elemento fulcral e decisivo em grandes projetos de arquitetura e `design`, com especial destaque para a pedra natural de origem portuguesa, tanto em Portugal como no mundo".

Segundo a Assimagra, já colaboraram com o programa nomes como Álvaro Siza, Amanda Levete, BijoyJain, Eduardo Souto de Moura, Elemental, João Luís Carrilho da Graça, Mia Hägg, Paulo David, Studio MK27 ou Vladimir Djurovic.

Cofinanciado pelo Portugal2020/Compete 202, o `Primeira Pedra` terá ainda duas apresentações em 2020 - a primeira em Paris e uma segunda em Lisboa -- marcando esta última o encerramento do programa, ao englobar todos os projetos e peças desenvolvidos ao longo dos últimos quatro anos.

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