Pedro Abrunhosa vai apresentar "Luz"
Cinco anos depois de "Momento", um álbum marcado pela perda do irmão, o músico Pedro Abrunhosa edita segunda-feira "Luz", um trabalho feito de "momentos epifânicos da realidade", como descreveu à agência Lusa.
"Luz" é o quinto álbum de Pedro Abrunhosa desde "Viagens", de 1994, e revela-se um trabalho de continuidade, que não rompe com o passado, musicalmente próximo de tudo o que fez antes, com referências ao funk, ao rock e aos blues.
No entanto, desta vez Pedro Abrunhosa acrescentou-lhe uma outra "emotividade e religiosidade" com a entrada de um coro gospel, audível em temas como "Ilumina-se" ou "Balada de Gisberta".
"Este é um disco gospel, das músicas mais emocionantes que conheço, porque dá uma certa religiosidade aos temas, não sendo eu um homem religioso", referiu o músico.
O álbum foi composto na intimidade, num confronto entre músico e piano, "porque criar é um acto primitivo", onde o "único estímulo foi uma dose de loucura", com a qual diz ter sido abençoado.
"Luz" não é um título demonstrativo do conteúdo, "é irónico, porque este é um disco profundo", com referências à actualidade, como o caso do transsexual assassinado no Porto ou a vida dos sem-abrigo na Invicta.
"Estou metido com o meu piano e vou às minhas memórias e às minhas emoções. Pode ser sobre uma viagem que faço, uma pessoa que conheço ou uma notícia que li. Este disco está cheio disso", descreveu o autor de "Quem me leva os meus fantasmas".
Mais do que um exercício de cidadania, a música é para Pedro Abrunhosa "a vontade de exorcizar sempre alguma coisa".
"Luz" foi gravado ao vivo com os Bandemónio no estúdio de Mário Barreiros, no Porto, que Pedro Abrunhosa acaba de comprar e renomear de "Boom Studios", um espaço que pretende que seja de "criação, gravação e performance".
Aos 46 anos, o músico demonstra alguma urgência em editar outro disco.
"Não sei quantos anos terei mais de vida, queria gravar rapidamente, porque os processos de gravação são morosos, a realidade é mais rápida que a memória e há muita coisa que eu quero dizer", disse.
Com formação na Escola de Música do Porto e no Conservatório, Pedro Abrunhosa passou pelo jazz, aprendeu composição e ensinou contrabaixo, um instrumento que diz tocar com regularidade.
"Toco em privado, não sou virtuoso, mas toco bem", diz, não descartando a hipótese de subir ao palco acompanhado apenas de piano e contrabaixo, repetindo um espectáculo que já fez no Teatro São Luiz.
"Luz", que será apresentado ao vivo na íntegra na terça-feira no Paradise Garage, em Lisboa, é dedicado ao escritor António Lobo Antunes, por quem diz ter uma "admiração profunda", por ter uma obra "que é muito mais música do que literatura".
O álbum é editado segunda-feira e terá uma edição limitada com um livro de 48 páginas com fotografias e ilustrações de Augusto Brázio.