Pedro Carneiro na marimba e quarteto de cordas Arditti tocam compositores portugueses contemporâneos

O marimbista Pedro Carneiro e o quarteto de cordas Arditti actuam sábado no Centro Cultural de Belém (CCB) para interpretar um programa de compositores portugueses, incluindo, em estreia mundial, uma obra recente de Rui Penha.

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Irvine Arditti e Ashot Sarkissjan (violinos), Ralf Ehlers (viola) e Lucas Fels (violoncelo)integram o Quarteto Arditti, considerado um dos agrupamentos dedicados à música contemporânea mais importantes da actualidade pela sua qualidade interpretativa.

Fundado em 1974 por Irvine Arditti, granjeou reputação internacional pela diversidade do repertório contemporâneo e pelo trabalho em estreita colaboração com os compositores.

Pedro Carneiro, que em Setembro apresentou o seu novo agrupamento - a Orquestra de Câmara Portuguesa, da qual é director artístico e maestro principal - tem vindo a desenvolver uma intensa actividade como concertista e chefe de orquestra a nível internacional.

Neste encontro entre a marimba, marimba microtonal (afinada em quartos de tom) e instrumentos de cordas, serão interpretadas obras de Pedro Carneiro - "Lentement, music boxers floating..." para violoncelo solo e "...e todo eu me levanto e todo eu ardo..." para marimba solo, e de Patrícia Almeida "Dulce Delirium", de João Pedro Oliveira "Espiral de Luz", e de António Pinho Vargas "Monodia, quasi un requiem", todas elas para quarteto de cordas.

Do programa constam ainda duas obras para marimba e quarteto de cordas, uma de Rui Penha - "Perspective", em estreia mundial - e de Luís Tinoco, "Ends Meet".

Em declarações à Agência Lusa, Rui Penha, 26 anos, monitor do departamento de comunicação e arte da Universidade de Aveiro, onde se licenciou em composição, indicou que a peça que estreará neste concerto "foi acabada há cerca de um mês, na sequência de um convite de Pedro Carneiro".

"Foi um grande desafio escrever esta peça a pensar num grupo com tanta tradição e importância como o Quarteto Arditti", referiu, acrescentando que o repertório actual para estes instrumentos "é quase inexistente".

"Perspective", segundo o músico, foi composta em cinco breves secções que reflectem sobre o próprio processo criativo, constituindo ao mesmo tempo "uma obra e uma análise da mesma e um comentário sobre a natureza de controlo e liberdade na composição".

Sobre as oportunidades para compor e interpretar música contemporânea, em Portugal, Rui Penha assinalou que "já existem muitos" agrupamentos "de qualidade, tais como a OrquestrUtópica e o Remix Emsemble, mas, por outro lado, continua a divulgar-se sobretudo os grandes clássicos, com pouco espaço para as obras mais recentes".

O maestro titular e co-director do Momentum Ensemble, grupo especializado em música contemporânea, observou, porém, que "começam a estar criadas as condições para que isso aconteça".

Co-produção do CCB e do Festival Internacional de Aveiro, o concerto decorrerá no pequeno auditório, às 21:00.

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