Pedro Paixão lança romance "Rosa vermelha em quarto escuro"
Lisboa, 02 Abr (Lusa) - "Rosa vermelha em quarto escuro", o novo livro de Pedro Paixão, é, nas palavras do autor, "biográfico, não autobiográfico", com tudo a ver com experiências que viveu, viu ou lhe contaram.
"Não tenho qualquer imaginação. Tudo o que escrevo são coisas que vivi ou vi ou me contaram.Tem tudo a ver comigo", disse à Lusa, a propósito deste seu romance, edição da Bertrand Editora.
Diferenças neste livro em relação aos seus títulos anteriores, o escritor assinala algumas, a primeira das quais a "duração" - 300 páginas.
"É a grande diferença. Isso altera tudo. Porque um texto muito pequenino, é como quem tira fotografias, polaroids. Mas isto é...longa-metragem", explica.
"Textos curtos", "textos pequeninos", é como Pedro Paixão chama aos seus contos, o género que escolheu para a sua estreia literária e vários dos livros que se lhe seguiram. "Romance" também não é classificação que lhe agrade, porque "é - esclarece - mais uma coisa do século XVIII, século XIX".
No romance e no conto, mas mais no primeiro, escrever é sempre, segundo Paixão, "uma aventura", marcada por vezes por alguma perda de controlo sobre a matéria da escrita: as personagens, os episódios, os conflitos.
"Uma pessoa - conta, entre risadas - não sabe por onde vai, é conduzida. Aparecem coisas no livro de que não se estava à espera, personagens que não obedecem à nossa vontade e dizem coisas que não deviam dizer. Fico completamente estupefacto".
Num registo mais sério, observa:"Tenho a ideia de que, para escrever, é preciso sair da vida para falar dela. De certa maneira, é preciso já ter morrido uma parte de nós e foi, com certeza, isto que aconteceu comigo. Aconteceu, muito cedo, qualquer coisa de muito violento e é isso que provoca, que pede que eu escreva, porque essa é a maneira de proteger a solidão em que vivo".
Não é uma catarse o que Pedro Paixão procura, através da escrita, mas não deixa de admitir que "algum aspecto" desse processo possa estar presente.
"É mais - explica - a necessidade de fugir ao absurdo do mundo e da vida, dando sentido a uma parte. É isso que uma pessoa faz quando está a escrever, a contar uma história: estar a dar sentido àquilo que normalmente não teria sentido - uma morte, um amor, uma paixão, coisas difíceis de compreender, integradas numa história, ganham sentido".
Nascido em Lisboa em 1956, Pedro Paixão iniciou-se na escrita em 1992 com os contos de "A noiva judia" e publicou desde então mais de uma dezena de títulos - contos, romances, crónicas.
"Rosa vermelha em quarto escuro", agora publicado, tem lançamento marcado para as 18:30 de hoje na Livraria Bertrand ao Chiado.
RMM.