Pensadora espanhola María Zambrano alvo de jornada de reflexão quinta-feira, no Instituto Cervantes

Lisboa, 21 Nov (Lusa) - A filósofa María Zambrano, considerada uma das maiores pensadoras espanholas do século XX, vai ser alvo de uma jornada de reflexão protagonizada por estudiosos portugueses e espanhóis, que decorrerá quinta-feira no Instituto Cervantes, em Lisboa.

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Organizada por iniciativa de Maria João Cabrita, Maria João Cantinho e Isabel Lousada, a jornada intitula-se "Encontro Ibérico: Reflexões em torno de María Zambrano" (1904-1991), e contará com uma homenagem ao investigador e cronista Eduardo Prado Coelho, que tinha aceite participar neste encontro, mas viria a falecer em Agosto deste ano.

Participam ainda na jornada, que tem início às 10:00, especialistas nos domínios da Filosofia e da Cultura, nomeadamente, António Cabrita, Jesús Moreno Sanz, José Augusto Mourão, Maria João Neves e Nuno Nabais.

Paralelamente às intervenções dos estudiosos decorrerá uma mostra de livros da filósofa e em torno da sua obra, com chancela das editoras Assírio & Alvim, Relógio d´Água, Fim de Século e Imprensa Nacional, organizada juntamente com o Instituto Cervantes.

No mesmo dia, na Fábrica Braço de Prata, pelas 22:00, é organizada uma mesa-redonda aberta ao público sobre a pensadora espanhola, que tinha como uma das ideias mais emblemáticas "A acção de perguntar supõe a aparição da consciência".

Nascida em Málaga, em 1921, iniciou estudos de Filosofia na Universidade Central de Madrid, completou-os em 1927, e apenas quatro anos depois tornou-se professora auxiliar de Metafísica naquela instituição de ensino superior, onde viria a fazer uma tese de doutoramento sobre "A salvação do indivíduo em Espinosa".

Casou-se em 1936 com o historiador Alfonso Rodrigues Aldane, com quem partiu pouco depois para Santiago de Chile, onde o marido foi ocupar o posto de embaixador, mas regressaram a Espanha um ano mais tarde por razões políticas.

Partiu novamente para o exílio em Janeiro de 1939, passando por Paris, Nova Iorque, Havana e México, onde leccionou filosofia na universidade, e regressou à Europa nos anos 50, escolhendo Roma para viver até 1964, perído durante o qual se relacionou com intelectuais italianos e com espanhóis exilados como Ramón Gaya, Diego de Mesa, Enrique de Rivas, Rafael Albertie e Jorge Guillén.

O seu valor começou então a ser reconhecido em Espanha, recebendo em 1981 o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades, no ano seguinte o título de doutora honoris causa e em 1988 o Prémio Cervantes.

Em 1987 criou, em Málaga, uma fundação com o seu nome para difundir a obra e organizar seminários, exposições e prémios de ensaio, entre outras actividades culturais.

"Filosofia e Poesia" (1939), "O Homem e o Divino" (1953), "O Repouso da Luz" (1986), "Para uma História da Piedade" (1989) e "Unamuno" (2003) figuram na sua bibliografia, composta por cerca de duas dezenas de obras.

AG.

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