Perfecto Cuadrado vence Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura
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Lisboa, 02 Dez (Lusa) - O Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura de 2008 foi atribuído ao espanhol Perfecto Cuadrado Fernández, anunciou hoje o ministro da Cultura português, José António Pinto Ribeiro.
Perfecto Cuadrado, 59 anos, professor de Filologia Portuguesa e Galega na Universidade das Ilhas Baleares, tem-se distinguido pela tradução para castelhano de obras literárias portuguesas, com destaque para a obra de Fernando Pessoa.
Falando em nome do júri, o ministro da Cultura disse, em conferência de imprensa, que o prémio foi atribuído por unanimidade e destacou o trabalho do premiado em prol da aproximação entre as duas culturas.
O premiado "reúne todas as qualidades que o prémio requer", destacou por sua vez a escritora espanhola Clara Janés Nadal, membro do júri, sublinhando a "dedicação de toda a vida" de Perfecto Cuadrado à divulgação da literatura portuguesa, sendo também um especialista em modernismo e surrealismo.
Clara Ferreira Alves, jornalista e escritora, também membro do júri, indicou que "há vinte e tal anos que Perfecto Cuadrado labora neste trabalho sombra de análise, tradução e intercâmbio entre as duas culturas", frisando o seu interesse pelo modernismo português e pelo "grande Pessoa".
"É um trabalho que transcende aquilo que seria oficial e monótono", afirmou, apontando ainda a "dedicação" do premiado "à coisa literária, à coisa poética, que não são uma grande moda actualmente".
"Ao homenagear Perfecto Cuadrado homenageamos uma linhagem que vem de Camões, passa por Pessoa, Cervantes e vem desembocar na poesia e na literatura contemporânea portuguesa e espanhola", disse Clara Ferreira Alves.
Perfecto Cuadrado Fernández nasceu em Zamora, numa região que faz fronteira com Portugal, em 1949.
Em declarações à Lusa, mostrou-se "feliz e surpreendido" com a atribuição do prémio e considerou que a literatura portuguesa "é uma das grandes literaturas do mundo ocidental".
Perfecto Cuadrado dedicou o galardão ao poeta espanhol Ángel Campos Pámpano, que morreu em Novembro.
Esta é a segunda vez que este prémio, no valor de 75.000 euros e criado em 2006 pelos Ministérios da Cultura de Portugal e Espanha, distingue uma figura que contribui para o enriquecimento das artes, das letras e do pensamento dos dois países.
Na primeira edição, José Bento, tradutor e um dos principais divulgadores da poesia espanhola em Portugal, foi o vencedor.
José António Pinto Ribeiro realçou a importância deste prémio no aprofundamento das relações entre Portugal e Espanha e na afirmação das duas línguas no panorama internacional.
O júri desta segunda edição do prémio foi constituído por três membros de nacionalidade portuguesa, Clara Ferreira Alves, José Adriano de Carvalho, professor universitário e o arquitecto Manuel Graça Dias, e por três elementos de nacionalidade espanhola, Clara Janés Nadal, Carlos Hernandéz Pezzi e Angéles González Sinde.
EO.
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