"Persépolis", de Marjane Satrapi, regressa aos cinemas em versão digital restaurada

"Persépolis", de Marjane Satrapi, regressa aos cinemas em versão digital restaurada

O filme "Persépolis", da escritora, ilustradora e realizadora franco-iraniana Marjane Satrapi, que morreu no início do mês, em Paris, vai regressar aos cinemas a 16 de julho, em nova versão digital restaurada, anunciou hoje a Midas Filmes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
AFP

Baseado na obra autobiográfica de Marjane Satrapi, "Persépolis", que regressa às salas portuguesas numa homenagem à cineasta, "mergulha em 15 anos da história do Irão, da deposição do regime do Xá, em 1978 e tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos, passando pela guerra Irão-Iraque, até 1993, momento em que a jovem heroína do filme decide que, para ser livre e emancipada, tem de deixar o país natal", descreve a distribuidora.

Marjane Satrapi morreu no passado dia 04, em Paris, aos 56 anos. Segundo o comunicado da família então divulgado, Satrapi "morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e amor da sua vida".

O nome de Satrapi alcançou dimensão internacional no início dos anos 2000, com a publicação da novela gráfica "Persépolis" r a respetiva adaptação ao cinema, que esteve nomeada para os Óscares de Melhor Longa-Metragem de Animação, em 2008, tendo recebido mais de 30 prémios, do Festival de Cannes ao Festival de Roterdão, e de instituições como o British Film Institute e a academia francesa, que atribui os Prémios César.

A história de "Persépolis" é contada através dos olhos de uma "precoce e extrovertida Marjane, de 9 anos", e mostra a destruição da "esperança de um povo [...] quando os fundamentalistas tomam o poder, forçando as mulheres a usar véu e mandando para a prisão milhares de pessoas".

Se "Persépolis" permanece como a obra mais conhecida da escritora e realizadora, "Marjane foi autora de muito mais obras", recorda a distribuidora Midas, destacando a sua ação como "lutadora incansável pelos direitos das mulheres e em particular as mulheres do seu país, o Irão", e como "uma das vozes do movimento Mulher Vida Liberdade, que abalou de forma acutilante o sinistro regime dos ayatollahs".

Para a Midas, "tornou-se assim obrigatório repor agora nos cinemas" o filme que já estreara em 2008, mas agora em versão restaurada, e que na altura foi "um belíssimo sucesso de público, com mais de vinte mil espetadores".

"Com um delicado equilíbrio entre a tragédia histórica, a comédia familiar, o drama e a sátira social, `Persépolis` é exímio não apenas na sua abordagem delicada dos conturbados acontecimentos que assolaram o Irão [...], mas também no olhar destemido que lança sobre temas como liberdade e repressão, o preconceito e o fundamentalismo religioso, a ignorância e a intolerância", explica a distribuidora portuguesa da obra.

A novela gráfica "Persépolis" foi premiada no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em 2001. A primeira edição da obra foi seguida de mais três volumes e adaptada para cinema pela própria autora, em 2007, em codireção com Vincent Paronnaud. Nesse mesmo ano, o filme conquistou o Prémio do Júri no Festival de Cannes.

A escritora e ilustradora voltou a ser distinguida em Angoulême em 2005, com nova obra, "Frango com Ameixas", história de um músico virtuoso, no Irão de 1958, que vê o seu instrumento destruído e não consegue encontrar outro que o possa substituir.

Marjane Satrapi vivia exilada em Paris desde 1994, tendo obtido a nacionalidade francesa em 2006.

No ano passado, recusou a Legião de Honra francesa para denunciar a "atitude hipócrita da França em relação ao Irão".

"Recusar a Legião de Honra não é, de forma alguma, uma ação ou um pensamento contra França", disse na altura. "Pelo contrário, amo profundamente este país, que é o meu".

De Marjane Satrapi estão publicados em Portugal "Mulher Vida Liberdade" e "Bordados", além de "Frango com Ameixas" e "Persépolis".

A cidade de Persépolis, antiga capital do Império Persa, remonta a 518 a.C., quando Dario ordenou a sua construção, mas acabou destruída pelas forças de Alexandre, o Grande, em 330 a.C..

 

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