Peter Murphy promete "esquecer" Bauhaus em Vilar de Mouros
Peter Murphy regressa a Portugal em 29 de Julho para um concerto no Festival de Vilar de Mouros, Caminha, cujo alinhamento não incluirá qualquer tema dos Bauhaus, garantiu o músico à Agência Lusa.
Em entrevista telefónica a partir de Los Angeles, Estados Unidos, Peter Murphy frisou que "só os Bauhaus podem tocar a música dos Bauhaus", pelo que tem evitado interpretar temas da banda mítica do pós-punk inglês de que foi vocalista.
Peter Murphy afastou a hipótese de uma nova reunião dos Bauhaus, à semelhança do que aconteceu em 1998, com a "Resurrection Tour" (digressão da ressurreição) comemorativa dos 20 anos da criação do grupo, em Northampton, Inglaterra.
"Sou muito fundamentalista. Para reformar os Bauhaus, era preciso um trabalho a sério, com uma digressão mundial e um álbum próprio", salientou, referindo que nem ele nem os ex-colegas de banda estão interessados nisso.
"O meu trabalho é suficiente para mim. Satisfaz-me", disse.
O músico prometeu para o concerto em Vilar de Mouros temas do seu novo álbum, "Unshattered", com lançamento em Portugal marcado para 02 de Maio, mas também de todos os anteriores discos, revisitando 22 anos de carreira a solo.
Peter Murphy justificou o título "Unshattered" (firme, constante, inabalado) como uma forma de "evocar uma ideia de junção de fracturas, de elementos díspares".
"Vivemos uma era fracturante, com guerras, confusões, rupturas culturais, um supermercado espiritual onde até há cristãos não- cristãos. Em certo sentido, quis evocar uma noção unificadora de todas essas fracturas", explicou.
Para o autor de "Indigo Eyes", "a música tem essa habilidade de juntar todo o tipo de espíritos, culturas, tradições, crenças".
"Unshattered" foi escrito "em grande velocidade, em apenas seis semanas", nas viagens que o músico fez entre Istambul, cidade turca que inspirou o seu anterior álbum, "Dust" (2002), e Montreal e Toronto, no Canadá.
Peter Murphy reconheceu que "Unshattered" é mais "aberto" e "luminoso" do que "Dust", mas não o considera um disco pop, apesar de não se importar que outros o classifiquem como tal.
"Idle Flow" foi o tema escolhido para primeiro single do novo álbum, que tem na balada "Thelma Sings to Little Nell" o seu momento mais intimista.
O músico explicou que "Little Nell" era a forma como o seu bisavô tratava a sua mãe e Thelma o nome da irmã que Peter Murphy não conheceu.
"Sou o mais novo de nove irmãos. Não conheci a minha irmã mais velha, Thelma, porque morreu com quatro anos, uma semana depois de lhe ter sido detectada uma espécie de cancro. Para uma mãe, perder um filho é das coisas mais trágicas que pode acontecer na vida", disse.
Peter Murphy referiu que escreveu "Thelma Sings to Little Nell" para dedicar à sua irmã e à sua mãe, que, nas últimas horas de vida (morreu em 1990), disse que estava a ouvir a filha a cantar para si.
O ex-vocalista dos Bauhaus recusou admitir que esta música signifique um momento pontual de sensibilidade na sua carreira, salientando que já revelou esta sua característica em muitos outros temas, como "A Strange Kind of Love".