Pianista Maria João Pires anuncia academia `online` com residências em Belgais

Pianista Maria João Pires anuncia academia `online` com residências em Belgais

Maria João Pires é a mais reputada dos pianistas portugueses, com uma carreira que remonta a finais da década de 1940, quando aos 4 anos se apresentou pela primeira vez em público.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: RTP

A pianista Maria João Pires anunciou hoje o lançamento da primeira edição da "MJP Piano Academy", espaço `online` dedicado ao ensino de piano, prevendo, para breve, abertura de inscrições para `masterclasses`, no Centro de Artes de Belgais.

Num comunicado hoje divulgado, assinado por "Maria João Pires e equipa", é adiantado que o novo projeto da pianista "oferece também reservas para `Explicações Online` e, em breve, para um novo formato de aula, os `Workshops Online`", semanais, para grupos de três a quatro alunos inscritos no programa da academia.

"Estes `workshops` estarão igualmente disponíveis para espetadores e ouvintes através de um plano de subscrição, permitindo que outros estudantes, professores ou amantes de música assistam aos eventos mensais e participem numa sessão mensal de perguntas e respostas `online`", com Maria João Pires.

Um plano de reabertura do projeto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, está também a ser trabalhado pela equipa, com o objetivo de oferecer "uma maior variedade de eventos e experiências presenciais". Desta vez, porém, partilhando as atividades "numa Plataforma Online de Belgais dedicada a pessoas de todo o mundo", esclarece no comunicado.

Esta plataforma, "assim que for lançada", poderá vir a acolher a "MJP Piano Academy", lê-se ainda no comunicado.

"`Ensinar` é uma expressão comum que todos usam, e é por isso que eu também a uso", afirma Maria João Pires, citada pelo comunicado. "No entanto, é muito mais do que isso - é uma forma de diálogo através da música, um `dar e receber`, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio. Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência mais clara".

Maria João Pires, de 82 anos, anunciou o afastamento dos palcos, em novembro do ano passado, afirmando estar num "processo de mudança radical", poucos meses depois de ter tido um problema de saúde, que pôs fim à digressão que mantinha entre palcos europeus e asiáticos.

Este anúncio foi feito na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, com que foi distinguida, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou "ultrapassar-se e ir até limites proibidos".

"Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente", afirmou então.

No passado mês de julho, quando recebeu o doutoramento Honoris Causa atribuído pela Universidade de Évora, Maria João Pires afastou o regresso ao ativo para um derradeiro concerto, mas admitiu a possibilidade de voltar aos estúdios para "fazer algumas gravações".

Nascida em Lisboa, em 23 de julho de 1944, a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses tem uma carreira que remonta a finais da década de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das "Cenas Infantis", de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989.

Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

Ao longo da carreira, Maria João Pires recebeu o prémio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa (1989), a Medalha de Mérito Cultural do Governo português e o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da Associação de Arte do Japão.

A nível discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross, nomeada regularmente para os Grammy e recebeu um prémio Gramophone, destacando-se as suas interpretações de Sonatas e dos "Impromptus", de Schubert, dos "Nocturnos", de Chopin, e de Concertos de Mozart e Beethoven.

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