Pintor José Malhoa inspira festival que leva arte urbana até Figueiró dos Vinhos

por Lusa

Arte urbana, concertos, ilustração e oficinas são algumas das propostas do festival Fazunchar, que vai realizar-se de 24 de agosto a 01 de setembro, em Figueiró dos Vinhos, tendo como inspiração o pintor José Malhoa.

Pelas ruas de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, vão ser criados murais que têm como fonte de inspiração o pintor naturalista José Malhoa e seus contemporâneos, que transformaram aquela vila num "ponto nevrálgico" da arte portuguesa entre o final do século XIX e o início do século XX, contou à agência Lusa a curadora do festival, Lara Seixo Rodrigues, da Mistaker Maker.

O Fazunchar (o nome vem do dialeto dos comerciantes de têxteis locais, e quer dizer "fazer") vai contar com a participação do artista marroquino Mohamed L`Ghacham, que tem "um trabalho muito naturalista", do espanhol Julio Anaya Cabanding, desafiado a reproduzir obras de José Malhoa em tamanho real nas paredes da vila, dos portugueses Aheneah, que trabalham o bordado em ponto cruz, e dos Halfstudio, dupla especializada no `lettering`.

"É inevitável, quando se descobre Figueiró dos Vinhos, ligarmo-nos àquela época, não só do Malhoa e dos seus contemporâneos, mas também à vivência da vila que rodava em torno das artes e à singularidade que este espaço tinha para os artistas", vincou Lara Seixo Rodrigues, recordando a presença naquele concelho, para além de Malhoa, de Simões d`Almeida (autor do busto original da República Portuguesa) e de Henrique Pinto.

A par da arte urbana, haverá também uma exposição coletiva de cartazes, intitulada "Ilustrar Malhoa", em que seis ilustradores portugueses - Ana Seixas, André da Loba, André Letria, Mariana Rio, Margarida Girão e Tiago Galo - vão reinterpretar seis trabalhos do pintor que ali viveu.

Na área da música, a iniciativa propõe uma atuação de Noiserv e uma residência artística de o Homem em Catarse, que vai compor uma canção sobre Figueiró dos Vinhos e cuja passagem pelo concelho termina com um concerto no jardim do Casulo (antiga casa de Malhoa).

Durante a semana do festival, vai decorrer ainda uma oficina de arte urbana para idosos (o projeto LATA 65), outra de arte urbana em ponto cruz e uma exposição fotográfica que propõe uma viagem até aos costumes e vivências daquele território a partir do espólio de Margarida Herdade Lucas, habitante de Figueiró dos Vinhos.

Num concelho fortemente afetado pelos incêndios de 2017, o festival procura que Figueiró dos Vinhos também seja "falado sobre outras coisas", ao mesmo tempo que recupera essa ideia e imagem de vila que vivia em torno das artes, explicou a curadora da iniciativa.

A iniciativa é de entrada gratuita e o objetivo é que se realize uma vez por ano, informou Lara Seixo Rodrigues.

O festival é uma iniciativa promovida pela Câmara de Figueiró dos Vinhos, sendo apoiada por fundos comunitários.

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