Pinturas e desenhos de Álvaro Lapa em exposição no Museu de Lisboa
Mais de 100 pinturas e desenhos do pintor e escritor Álvaro Lapa vão estar patentes ao público entre 24 de Novembro e 28 de Janeiro no Museu da Cidade, em Lisboa, numa exposição comissariada pelo crítico de arte João Pinharanda.
Esta é "a exposição que ele (Álvaro Lapa) pensou", assinalou Pinharanda à Lusa.
Etapa final do processo de atribuição bienal do Grande Prémio EDP, que na edição de 2004 distinguiu Lapa, a exposição é apresentada em dois blocos: um, constituído pelos 65 trabalhos de "Obras-com- palavras", no Pavilhão Preto do museu, e o outro, com os 46 trabalhos de "Paisagísticas", no Pavilhão Branco.
A obra pictórica de Lapa não se divide em fases ou períodos mas em "séries". Por decisão do autor, no entanto, não se encontram todas elas na mostra agora patente.
Na explicação do comissário da exposição, as séries são muitas, mas Lapa "não as considerava completas (Ó), nunca as deu como completas", porque continuamente as alterava, retocava, reformulava, voltando a pegar nelas por vezes "com décadas de intervalo".
Figura "muito singular", ideologicamente "um anarquista integral", operando "sempre numa lógica de radicalidade" - nas palavras de Pinharanda -, só a partir de meados dos anos 80, na sequência de uma exposição na galeria Emi-Valentim de Carvalho, Lapa começou a ver procurados no mercado da arte os seus trabalhos.
A sua obra como pintor, refere ainda Pinharanda, tem uma relação muito forte com a literatura - a que ele próprio, Lapa, produziu ("Raso como o chão", "Por que morreu Eanes", "Balança") e a de outros autores, com destaque para Mallarmé, Kafka, Gombrowicz e Céline, entre outros.
Aberto a uma infinidade de estímulos, Lapa "aproveita muito do surrealismo", do simbolismo, não recusa, por exemplo, "derivações da Beat Generation" norte-americana, e em vários dos seus trabalhos há igualmente marcas de uma relação com o Budismo.
Poderá ser visto nos espaços da exposição um vídeo realizado por Jorge Silva Melo que regista conversas com o autor em 2000 e 2006, pouco tempo antes da sua morte em Fevereiro.
Complementa a exposição um catálogo com a reprodução das obras expostas e uma recolha exaustiva dos textos do pintor incluídos em catálogos de exposições em que participou.
O Grande Prémio EDP distinguiu Álvaro Lapa em 2004 por decisão de um júri composto por José Borges da Fonseca, em representação daquela empresa, João Pinharanda, consultor para a área das artes plásticas, o director do Museu de Serralves, João Fernandes, e os historiadores e críticos de arte António Rodrigues e Bernardo Pinto de Almeida.