Plataforma pelo Património Cultural defende construção de raiz de um Museu de Arqueologia

Lisboa, 25 Mar (Lusa) - A Plataforma pelo Património Cultural (PP-Cult) defende a construção de raiz de um Museu Nacional de Arqueologia e questiona a oportunidade de comemorar o centenário da República com um projecto criado pela Rainha D.ª Amélia.

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Em carta aberta aos promotores da carta dirigida ao Primeiro-Ministro, em defesa da construção de um novo Museu dos Coches, em Belém, a PP-Cult afirma que, "a ser tomada a decisão da construção de um novo Museu Nacional de raiz, esse deveria ser um novo Museu Nacional de Arqueologia, porque de facto se justifica tal opção em termos de uma política museológica sustentada".

Os signatários da carta, entre os quais Luís Raposo, presidente da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional de Museus (ICOM), apontam também como alternativa a requalificação dos museus de Arte Contemporânea/Chiado, Arte Antiga, Arqueologia, Azulejo ou da Música.

Os subscritores da carta questionam ainda se "não haverá formas mais adequadas para celebrar o centenário da República do que dar nova morada aos coches reais" e se a intenção será a de "destruir uma iniciativa monárquica" que consideram "meritória".

Referindo-se ao projecto do novo Museu dos Coches recordam os subscritores que, quando os coches estiveram num pavilhão moderno da Expo`98, tiveram "muito menos visitantes".

"Encerrar este museu [dos Coches] num ambiente arquitectónico contemporâneo cheio de efeitos de som e imagem pode retirar-lhe a alma que lhe confere sucesso", advertem.

Os signatários contestam assim a ideia de que a integração da colecção num ambiente "tendencialmente `neutro`" traga mais visitantes, já que o actual elevado número de visitas se deve "ao espaço envolvente, num conjunto estético mutuamente suportado".

Considera a PP-CULT que "a beleza áulica dos coches" é "exaltada num espaço tardo-barroco, que só ali pode fazer sentido" e esta é a receita para ser o mais visitado museu português.

Questiona-se igualmente o previsto alargamento do Museu de Marinha nos Jerónimos. "Acham bem que o Estado democrático concretize agora o projecto do Estado Novo para os Jerónimos, como se o país estivesse ainda sob tutela militar?", lê-se na carta aberta.

Criticando as opções do Governo relativamente aos museus dos Coches e da Arqueologia, os subscritores interrogam-se sobre a utilização da Cordoaria Nacional para albergar os serviços de arqueologia, biblioteca respectiva, e Museu.

"É aceitável - perguntam - a desfiguração da Cordoaria Nacional, para nela instalar armazéns, arquivos e supostamente um museu, que nada garante poder lá funcionar em condições adequadas?".

Na previsão da PP-Cult, a adaptação da Cordoaria, classificada como monumento nacional, pode "ocasionar danos gravíssimos".

Neste quadro, propõem os signatários que o Museu de Marinha seja instalado na Cordoaria Nacional e se amplie o Museu Nacional de Arqueologia dentro do Mosteiro dos Jerónimos.

Por outro lado, recordam ao Governo as promessas feitas de requalificação do Museu de Arte Contemporânea/Chiado, além da "satisfação das justas expectativas sociais quanto à melhoria das condições de instalação" dos museus de Arte Antiga, Azulejo, Música ou ainda apoiando o "cuidadoso restauro" da sua colecção.

Referindo-se à carta que cerca de 200 personalidades vão enviar ao Primeiro-Ministro, em defesa da construção do novo Museu dos Coches, a PP-Cult considera-a falha de argumentos e daí terem os seus autores de "alicerçá-la numa espécie de `parada de estrelas`".

Entendem, todavia, existirem "pontes suficientes" para um diálogo e propõem até um debate "sereno" sobre a questão.

Assinam também a carta João Neto, presidente da Associação Portuguesa de Museologia, José Aguiar, presidente da Comissão Portuguesa do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), Helder Ferreira, presidente Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural Português, e João Carlos Caninas, presidente da assembleia-geral da Confederação Portuguesa das associações de defesa do Ambiente.

O projecto do novo Museu dos Coches é assinado pelo arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha e deverá ser construído na ala poente da Praça D. Afonso de Albuquerque , em Belém, onde actualmente funcionam os Serviços de Arqueologia do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e arqueológico, numas desactivadas instalações militares.

NL.

Lusa/Fim

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