"Polaridades" leva a Évora obras dos irmãos Mendelssohn e casal Shumann

O recital "Polaridades" vai aproximar, sábado à noite, o público do Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, dos "anos exaltados do Romantismo na música", através das obras dos irmãos Mendelssohn e do casal Shumann.

Agência LUSA /

O espectáculo, com início às 21:30, vai estar a cargo da soprano Lúcia Lemos, do barítono Rui Baeta e do pianista João Paulo Santos, que vão apresentar ao público de Évora as composições de Fanny e Félix Mendelssohn e de Robert e Clara Shumann.

Segundo a Fundação Eugénio de Almeida (FEA), que promove a iniciativa, o espectáculo levará à cidade alentejana as "grandes emoções, a liberdade e a imaginação de grandes compositores românticos".

"Polaridades", sublinha a entidade organizadora, é marcado por um "intenso e arrebatador diálogo" e "evoca os ambientes, as interrogações, os encontros e as rupturas das vidas inspiradas, e por vezes trágicas, destes grandes da música e dos seus duplos femininos, que o século XIX relegou para a sombra".

Se os irmãos Mendelssohn tivessem vivido um século mais tarde, assegura a Fundação Eugénio de Almeida, "teriam conhecido grande sucesso como duo musical", mas, de acordo com a cultura do seu tempo, "só a estrela de Félix pôde brilhar".

Ainda assim, Fanny continuou a compor, conhecendo-se hoje cerca de quinhentas das suas obras, a maior parte inéditas, realça a FEA.

Quanto a Robert Shumann, sabe-se que escreveu a Clara, em 1839, assegurando-lhe que, no primeiro ano de casamento, fá-la-ia "esquecer a artista, porque a esposa se elevaria acima dela".

"Apesar disso, Robert propôs-lhe que se juntasse a ele na composição de uma série de canções, com destaque para as que têm por base poemas de Friedrich Rückert, algumas das quais estão incluídas no programa deste recital", explica a organização.

A soprano Lúcia Lemos foi membro do Coro Gulbenkian e tem-se apresentado como solista em diversos recitais em Portugal e no estrangeiro.

Quanto a Rui Baeta, integrou igualmente o Coro Gulbenkian e foi professor de voz do Teatro Nacional D. Maria II, sendo responsável pela direcção vocal de actores e cantores em diversos cursos de interpretação teatral e espectáculos músico-teatrais.

O barítono mantém uma intensa actividade artística em Portugal, dividida pela ópera, oratória e recital.

Discípulo de Adriano Jordão, o pianista João Paulo Santos foi Maestro Titular do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, onde actualmente desempenha as funções de Director de Estudos Musicais e Director Musical de Cena.

O recital "Polaridades" marca o "pontapé de saída" do Ciclo "1820 - 1910: As Anos Exaltados do Romantismo na Música", que vai proporcionar ainda, no dia 06 de Maio, o concerto comentado "Promenade Romântica - Uma noite em Viena com guitarra", com o músico Dejan Ivanovic.

O ciclo que aborda os anos do Romantismo termina a 01 de Junho, Dia da Criança, com a iniciativa "No tempo em que os instrumentos falavam", com histórias sobre a música, os músicos e a sociedade do século XVIII, abordadas numa perspectiva lúdica.

PUB