Polícia brasileira recupera obras de Henri Matisse roubadas em dezembro

Polícia brasileira recupera obras de Henri Matisse roubadas em dezembro

A Polícia Civil do estado de São Paulo, no sudeste do Brasil, anunciou a recuperação de obras do pintor francês Henri Matisse, roubadas em dezembro de uma biblioteca da cidade.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Rede Social Instagram @policiacivil_sp

Num comunicado, a polícia informou que "recuperou oito das 13 obras roubadas na quinta-feira (...) todas do pintor francês Henri Matisse. Foram encontradas numa residência no centro de São Bernardo do Campo", perto de São Paulo.

Avaliadas em aproximadamente 200 mil dólares (173 mil euros), segundo a polícia, as obras que faziam parte da série "Jazz" estavam na posse de um homem armado "que as guardava para o mentor do crime". O homem foi detido.

O alegado mentor já tinha sido detido em abril pelas autoridades do Rio de Janeiro, informou a polícia de São Paulo. Uma mulher, que está a ser investigada pelo roubo, também está sob custódia.

"O grupo agiu de forma estruturada, com planeamento prévio e divisão de tarefas para o roubo, receção e introdução deste património cultural no mercado negro", explicaram as autoridades.

A série "Jazz" de Matisse foi publicada em França em 1947. Segundo a leiloeira Christie`s, existem 250 exemplares assinados.

Em 06 de dezembro, dois homens armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, situada no coração de São Paulo, e roubaram oito gravuras de Henri Matisse, juntamente com outras cinco ilustrações do pintor modernista brasileiro Cândido Portinari, que não foram recuperadas.

Dois dias depois, as autoridades brasileiras detiveram um homem suspeito de ter participado no roubo, no centro de São Paulo, após ter sido "identificado na sequência de uma investigação e análise das imagens de videovigilância".

As gravuras integravam a exposição "Do livro ao museu: MAM [Museu de Arte Moderna] São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade".

De acordo com a polícia, após dominarem uma guarda e um casal de idosos que visitava a exposição, os dois homens pegaram nas obras e colocaram-nas numa bolsa de lona antes de abandonarem o local pela porta principal.

De acordo com informação disponível no site do MAM de São Paulo, a exposição integrava maioritariamente obras das décadas de 1949 e 1950.

A mostra incluía "obras raras e importantes, como `Jazz`, de Henri Matisse, ou `Cirque`, de Fernand Léger, exemplares de grande relevância que colocaram artistas e investigadores brasileiros em contacto com a produção modernista europeia".

"Jazz" é apresentada no catálogo da exposição como "uma obra expoente" da produção artística tardia do artista francês.

"Matisse iniciou o livro em 1943, quando já tinha a mobilidade reduzida após procedimentos médicos, o que o levou a `pintar com a tesoura`", lê-se no catálogo, disponível online.

De Candido Portinari, integravam a exposição ilustrações criadas para uma edição de luxo de "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, e para uma edição especial de "Menino de engenho", de José Lins do Rego.

 

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