Ponta Delgada apresenta Capital da Cultura 2026 com foco no "lugar do amanhã"
A cidade de Ponta Delgada apresenta-se como Capital Portuguesa da Cultura 2026 (PDL26) com o lema "O lugar do amanhã" para chegar às crianças e comunidades "mais marginais" e trazer grandes produções nacionais ao concelho açoriano.
Na apresentação das atividades da PDL26 para o primeiro trimestre, a comissária Kátia Guerreiro realçou que "uma boa parte de programação sai do serviço educativo", com o objetivo de "lançar sementes para o lugar do amanhã" e promover o "acesso à cultura" de "crianças, jovens" e comunidades mais marginalizadas.
"A Capital Portuguesa da Cultura está a trabalhar muito no sentido de promover um serviço educativo que seja efetivamente eficaz e que chegue às crianças e jovens. Mas para nós a educação não é só isso. A educação tem um sentido muito lato. Vamos trabalhar não só com crianças e jovens, mas com comunidades mais marginais", afirmou a fadista, falando aos jornalistas, nos Paços do Concelho da Câmara de Ponta Delgada.
Depois de Aveiro, em 2024, e Braga, em 2025, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, será Capital Portuguesa da Cultura, um ano antes de Évora ser Capital Europeia da Cultura.
O espetáculo de abertura da PDL26, "Deixa Passar a Vida", dirigido por António Pedro Lopes, vai acontecer na quinta-feira, no Coliseu Micaelense.
"Se pusermos uma criança, um jovem um idoso a assistir a alguma coisa que nunca tenham tido oportunidade, a seguir pode ser que queiram ver mais, fazer, participar. O exemplo do espetáculo de abertura é isso mesmo. É a comunidade que nunca fez, que nunca esteve em cima do palco e que vai subir ao palco", reforçou.
Estão previstas dezenas de atividades para os primeiros três meses do ano, como o espetáculo "Ai, tu é que és o meu rapaz" (de Sara Ross & Quarteto Contratempus) de 04 a 06 de fevereiro ou as "Oficinas de Danças do Mundo e Chamarrita do Pico", que arrancam a 03 de fevereiro.
A 26 de fevereiro vai decorrer o concerto "O Fado", com Lima e Marco Mezquida, a 27 de fevereiro Afonso Dorido apresenta "Homem em Catarse", enquanto a 08 de março Cristina Branco sobe ao palco do Teatro Micaelense com "Mãe".
A exposição "Previsão de Deriva", de Márcio Vilela, vai ser inaugurada a 14 de março, e o festival literário Utopia vai chegar à ilha de São Miguel a 18 de março, um dia antes do músico Manuel Cruz atuar no Teatro Micaelense (19 de março).
A comissária revelou, também, que a programação da PDL26 vai incluir a peça "Catarina e a Beleza de Matar Fascistas", de Tiago Rodrigues (30 de maio), o espetáculo "Os Maias", da Companhia Nacional de Bailado (26 de setembro), e a ópera "Um Baile de Máscaras", de Giuseppe Verdi, pelo Teatro Nacional São Carlos (28 de novembro).
Estão ainda previstos os projetos Raiz (que pretende preservar as tradições culturais do concelho), Mica (dedicado às artes performativas para a infância) e Festivalzim (também dedicado às crianças e que faz parte do festival Tremor).
Na ocasião, Kátia Guerreiro destacou que a organização está a trabalhar com um orçamento de 4,3 milhões de euros, proveniente do município (três milhões) e do Governo da República (1,3 milhões), já que ainda aguarda as verbas do Governo Regional.
"Vamos trabalhando com aquilo que temos. Ninguém nos prometeu mais do que cinco milhões. Já conseguimos alcançar os 5,3 milhões. Queremos ter a garantia de um milhão do Governo Regional que ainda está sujeito a candidatura", afirmou, garantindo, também, que a PDL26 está a trabalhar para arrecadar financiamento de entidades privadas.
A criação da figura da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciada pelo ex-ministro da Cultura Pedro Adão e Silva, em Lisboa, em dezembro de 2022, onde deu a conhecer a cidade vencedora da candidatura a Capital Europeia da Cultura.