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Ponto de Fuga lança livro infantil de Gertrude Stein com ilustrações de Rachel Caiano

Ponto de Fuga lança livro infantil de Gertrude Stein com ilustrações de Rachel Caiano

Um clássico infantil da autoria de Gertrude Stein, com ilustrações de Rachel Caiano, intitulado "O Mundo é Redondo", chega às livrarias portuguesas na sexta-feira, pela Ponto de Fuga, numa edição bilingue, em cor-de-rosa, azul e branco.

Lusa /

"Rosa é uma rosa é uma rosa" é um dos mais icónicos estribilhos da literatura infantil e provém deste livro de Gertrude Stein, publicado originalmente há 80 anos, sob o título "The world is round", e que a Ponto de Fuga inclui agora na sua coleção infanto-juvenil.

Metade do livro conta a história em português, traduzida por Luísa Costa Gomes, e impressa a azul em folhas cor-de-rosa, e a outra metade tem a versão original, em inglês, impressa em folhas brancas.

Este modelo é inspirado nas cores e motivos estabelecidos pela autora, originalmente concretizados pelo ilustrador americano Clement Hurd, que nesta edição são explorados pela premiada ilustradora Rachel Caiano, que "imprime a sua marca visual num livro belo, arrojado e desafiante, como as próprias crianças", explica a editora.

Quanto à tradução, a Ponto de Fuga sublinha que "a originalidade rítmica e poética da obra" tornava-a quase impossível.

No entanto, Luísa Costa Gomes conseguiu verter para português, mantendo o estilo inconfundível de Stein, "esta tocante exploração dos conceitos de identidade e individualidade, com os seus inusitados jogos de palavras e sons", num trabalho de tradução que a editora classifica de "magistral".

O facto de o livro ser bilingue permite, de qualquer modo, explorar o estilo particular de Gertrude Stein e a forma como ela originalmente usou as palavras e compará-los com a versão portuguesa traduzida.

"O Mundo é Redondo" já tinha tido uma edição em português, em 2009, com tradução de Luísa Costa Gomes, ilustrada por Jorge Nesbitt, com uma tiragem de 300 exemplares.

Tratava-se de uma publicação da Galeria de Arte Moderna e Contemporânea João Esteves de Oliveira, no âmbito dos "trabalhos sobre papel".

O livro original nasceu em 1938, quando uma editora desafiou vários autores de livros para adultos a escreverem um livro infantil, entre os quais Hemingway e Steinbeck, que recusaram fazê-lo.

Gertrude Stein, contudo, não só respondeu com um "sim", como fez saber que tinha praticamente concluído um livrinho chamado "O mundo é redondo", conta o editor no `interfácio` do livro, que separa a metade portuguesa da inglesa.

A personagem principal da história, Rosa, é inspirada numa menina de nove anos, chamada Rose d`Aiguy, filha de vizinhos de Stein e da sua companheira Alice B. Toklas, na localidade alpina de Billignin, onde alugaram uma pequena quinta do século XVII.

Não só Rose, mas também os seus cães Pépé e Love, que figuram na história, tiveram existência real.

Apesar disto, a divisa "a rosa é uma rosa é uma rosa" já acompanhava a escritora desde 1913, tendo ocorrido pela primeira vez no poema "Sacred Emily".

Instada pela companheira a inscrever essa frase em qualquer lugar, Gertrude Stein retirou-lhe o artigo inicial (para designar já não a flor, mas a menina protagonista) e a frase tornou-se "um dos mais icónicos estribilhos da literatura infantil".

Como já era habitual nos seus projetos, Stein envolveu-se em todas as etapas da conceção do livro, tendo logo determinado que as páginas fossem cor-de-rosa, a condizer com o nome da protagonista, em cuja cor favorita, o azul, deveria ser impresso o texto.

A editora destaca que o texto de "O Mundo é Redondo" é "tão ou mais exigente" do que qualquer outro texto da autora, encontrando-se nele "o ritmo peculiar, quebrado, confuso", bem como a ausência de muitas vírgulas e da restante pontuação.

Gertrude Stein justificou esta opção num dos seus livros, em que explicou que, quando começou a escrever, sentia que "a escrita devia continuar e continuar", conta o editor.

Essa mesma ilusão de continuidade é dada pela forma como está narrado "O Mundo é Redondo", tendo uma criança afirmado, certa vez, que gostou do livro, "porque quando se começa a pensar naquilo não se chega a lado nenhum". "Aquilo limita-se a ir por ali afora", uma citação que, na altura, terá agradado "profundamente" a Stein.

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