Porto Editora inicia renovação dos Livros do Brasil na coleção Dois Mundos
A publicação, esta semana, de nove títulos da coleção Dois Mundos, da Livros do Brasil, é a primeira etapa da renovação desta chancela, desde a sua compra pela Porto Editora, disse à Lusa o editor Manuel Valente.
A Porto Editora anunciou, em janeiro último, a aquisição, por 500.000 euros, da marca Livros do Brasil e dos seus ativos literários, que, como explicou Manuel Alberto Valente, diretor da chancela, abrangem, além da coleção Dois mundos, a Vampiro e as obras de Eça de Queiroz, com o texto fixado por Helena Cidade Moura.
Dos nove títulos publicados, o romance "Música para camaleões", de Truman Capote, numa nova tradução de Paulo Faria, é uma estreia no catálogo da Livros do Brasil, que já tinha outros títulos do autor norte-americano falecido em 1984, nomeadamente traduções inicias portuguesas de "A sangue frio" e "A harpa de ervas".
Manuel Alberto Valente afirmou à Lusa que há interesse "em renovar, com novos títulos, sem trair o espírito da coleção".
Do ponto de vista gráfico, a coleção "recupera, modernizando, o grafismo original das décadas de 1950 e 1960".
Quanto aos outros títulos publicados, o editor afirmou que foram selecionados segundo "uma análise dos que eram mais procurados no mercado, alguns pela sua aplicação escolar, como acontece com `A Pérola", de Steinbeck, ou pela sua fama, como `As vinhas da ira`", do mesmo autor.
O lote dos nove títulos inclui, além de "Música para camaleões", as obras "As Vinhas da ira", "A pérola" e "O inverno do nosso descontentamento", de John Steinbeck, "O adeus às armas", "Paris é uma festa" e "Na outra margem, entre as árvores", de Ernest Hemingway, "A condição humana", de André Malraux, e "Mrs. Dalloway", de Virginia Woolf.
O editor garantiu "a saída de outros títulos, em maio", nomeadamente "Tudo o que conta", do norte-americano James Salter, que é um novo autor nesta coleção, "apontado como o grande escritor norte-americano da atualidade".
"Por um lado recupera-se os títulos possíveis e, ao mesmo tempo, faz-se o que a coleção fez no seu tempo, que foi propor grandes autores que, porventura, amanhã, se tornam clássicos. Queremos trabalhar na fidelidade dessa audácia de lançar autores novos", afiançou.
Manuel Alberto Valente salientou que "nem todos os títulos originais da coleção poderão ser recuperados, pois, entretanto, os respetivos contratos de direitos caducaram" e, neste caso, está a avaliar-se caso a caso a nova aquisição para efeitos de publicação. Um dos autores citados, que se está já em negociações com a editora francesa Gallimard, é Albert Camus.
Outra coleção que será reeditada, "mantendo o design, mas renovado, tendo em conta os títulos disponíveis em termos de contratos", é a de ficção policial "Vampiro", cujos primeiros volumes "sairão em finais deste ano, ou em princípios de 2016".
Um dos autores desta coleção, que será difícil de recuperar, é a britânica Agatha Christie, criadora de personagens como Poirot e Mrs. Marple. Todavia "há muitos autores norte-americanos que estão no domínio público, e há outros que vão ser renegociados, para obter os direitos, mas também serão publicados novos autores".
Raymond Chandler, Dashiell Hammett (também já editados pela Porto Editora), Rex Stout, Earle Stanley Gardner, Ellery Queen, John Dickson Carr/Carter Dickson, Mickey Spilane são alguns dos autores que, durante décadas, marcaram a história da coleção Vampiro.
Da "Obra de Eça de Queiroz", a renovada chancela editou já "Os Maias", mantendo "praticamente o mesmo design".
Para Manuel Alberto Valente, liderar esta chancela "é um desafio", mas ressalvou: "Estamos a lidar com autores de tal maneira emblemáticos e importantes, que nos permite alguma tranquilidade no nosso trabalho". "É uma aposta segura", rematou.