Portugal e Brasil querem estudo para determinar valor económico da Língua Portuguesa nos "oito"
Lisboa, 13 Nov (Lusa) - Os ministros da Cultura de Portugal e Brasil afirmaram hoje que vão propor a elaboração de um estudo nos oito Estados membros da CPLP para determinar o valor económico da Língua Portuguesa.
Numa conferência de imprensa conjunta, que decorreu na embaixada do Brasil em Lisboa, José Pinto Ribeiro e Juca Ferreira justificaram o projecto com a necessidade de cada um dos oito Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) "perceber a relevância" do idioma portuguesa nas políticas cultural e patrimonial.
"Há estudos parcelares para determinar o valor económico da Língua Portuguesa, que não são um estudo geral, feito em todos os países, uma vez que a sua relevância difere de Estado para Estado", referiu Pinto Ribeiro.
Segundo o governante português, a proposta será apresentada sexta-feira na reunião extraordinária dos ministros da Educação e da Cultura da CPLP, que decorrerá até sábado no Centro Cultural e Belém, em Lisboa.
"A Língua Portuguesa tem um valor económico. É preciso um estudo igualitário para que cada um deles (dos oito países) perceba a relevância da Língua Portuguesa para a sua política cultural e patrimonial", acrescentou Pinto Ribeiro, lembrando que um projecto semelhante já existe em relação ao espanhol no contexto Ibero-Americano.
A ideia nasceu de uma conversa entre Pinto Ribeiro e o antigo ministro da Cultura brasileiro, Gilberto Gil, sublinhou o governante português, tendo, na altura, sido decidido que tudo faria mais sentido se fosse executado individualmente no seio da CPLP.
Questionado pela Lusa sobre como se mede o valor económico da língua de um país, Pinto Ribeiro indicou que, no início, também levantou a questão, tendo recorrido "aos cientistas da língua e aos economistas da língua".
"É um instrumento relativamente simples: uma empresa (de qualquer um dos estados membros) que queira ir para, por exemplo, o Brasil não tem de formar técnicos ou traduzir manuais, porque a Língua é a mesma. Enquanto mercado também acontece o mesmo: se quiser exportar mercadorias é mais fácil se se tiver em conta livros ou produtos presos à língua. Esta é uma leitura superficial, mas também se mede por aí", justificou.
JSD.
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