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Portugal participa em investigação a restos arqueológicos de fragata espanhola

Portugal participa em investigação a restos arqueológicos de fragata espanhola

Cádis, Espanha, 24 ago (Lusa) -- Uma equipa da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) desloca-se sexta-feira ao sítio arqueológico subaquático no Golfo de Cádiz, no sul de Espanha, onde se encontram os vestígios da fragata espanhola Nuestra Señora de las Mercedes, foi hoje divulgado.

Lusa /

O Ministério espanhol da Educação, Cultura e Desporto está a coordenar a terceira expedição científica ao naufrágio do Nuestra Señora de las Mercedes, que se iniciou no passado fim de semana e terá a duração de dez dias.

A representação nacional, constituída por três elementos - dois arqueólogos e um perito em conservação e restauro -- "enquadra-se nas competências atribuídas à DGPC de fiscalização e acompanhamento dos trabalhos arqueológicos autorizados, decorrendo no contexto da permanente e excelente articulação que tem sido mantida entre Portugal e Espanha", afirma a direção-geral, em comunicado enviado à agência Lusa.

Nos termos da Convenção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) para a Proteção do Património Cultural Subaquático de 2001, ratificada por Portugal e Espanha, "uma vez que os trabalhos arqueológicos se situam na Zona Económica Exclusiva portuguesa torna-se também necessário que Portugal autorize a respetiva atividade científica", esclarece a DGPC.

Esta terceira campanha espanhola sob responsabilidade científica de Iván Negueruela Martinez, diretor do Museu Nacional de Arqueologia Subaquática de Espanha, visa "elaborar uma cartografia detalhada do sítio e registar os danos causados pela afetação causada pela companhia norte-americana Odyssey Marine Explorations", que retirou 17 toneladas de ouro e prata em moedas, entretanto devolvidas ao Governo de Madrid, depois de um conflito judicial que durou de 2007 a 2012.

A expedição visa a área de estibordo do navio, afundado a uma profundidade a mais de 1.100 metros, área ainda desconhecida, mas que supõem os investigadores ter a maior parte da carga que estará enterrada na areia, adianta a agência noticiosa Efe.

O projeto arqueológico conta também com a participação de arqueólogos subaquáticos do México e, pela primeira vez, tem o apoio do navio oceanográfico Sarmiento de Gamboa, do Conselho Superior de Pesquisa Científica.

Segundo a DGPC, "devido à profundidade em que se encontram os vestígios, mais de 1.100 metros, todas as operações são feitas com recurso à robótica, utilizando meios de deteção geofísica e um veículo subaquático controlado remotamente (habitualmente designado por ROV - Remotely Operated Vehicle)".

Um dos objetivos desta nova expedição é perceber o estado de conservação do La Mercedes e sua evolução, depois de Espanha ter ganhado o processo judicial sobre a posse dos achados arqueológicos à empresa norte-americana Odyssey Marine Exploration, que tinha já retirado 600 mil moedas de ouro e prata.

O naufrágio, no Golfo de Cádis, deu-se após um "ataque pirata" da Armada britânica, que começou junto às costas do Algarve, e como explicou Negueruela, o que está a ser explorado é "uma fragata dinamitada, não um galeão afundado em posição de navegação".

O diretor-geral de Belas Artes, Luis Lafuente, argumentou que esta nova expedição ajudará a conquistar a "batalha científica", depois da batalha legal que durou de 2007 a 2012, e da qual o Governo de Madrid levou a melhor.

Lafuente referiu que a La Mercedes é "a única escavação subaquática em águas profundas no mundo que está a tratar um sítio arqueológico subaquático de forma sistemática".

Nas duas expedições anteriores, 51 objetos do naufrágio foram resgatados, dado o risco de desaparecimento ou pela sua fragilidade, localização, documentação de aspetos da vida a bordo da fragata ou estar expressamente descrito no Arquivo General de Indias.

A fragata Nuestra Señora de las Mercedes foi afundada por uma esquadra inglesa a 05 de outubro de 1804, quando regressava da América espanhola, em direção a Cádis carregada com mais de 500 mil moedas de prata e ouro.

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