Português e estónio têm primeiro dicionário

O primeiro dicionário das línguas portuguesa e estónia, com cerca de 40 mil palavras e expressões mais utilizadas na vida quotidiana, acaba de ser lançado em Tallinn, capital da Estónia.

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Editado pela TEA, o dicionário tem formato de bolso e está dividido em duas partes, uma para estónio-português e outra para português-estónio.

Para além da linguagem formal, o dicionário contém palavras e expressões de registo mais familiar, incluindo vocábulos de origem brasileira.

Segundo a editora, o volume faz parte de uma colecção de dicionários de bolso que inclui já versões em inglês, russo, alemão, francês, espanhol, italiano, finlandês e sueco.

A Embaixada de Portugal em Tallinn e a Embaixada da Estónia em Lisboa apoiaram o projecto, embora na sua elaboração não tenha participado nenhum técnico ou tradutor português.

Entre os autores contam-se os tradutores Rein Loodla, Ilmar Noor e Siivi Sarap (que teve uma bolsa anual do Instituto Camões), assim como os editores Mart Tamak (actual embaixador da Estónia em Lisboa), Annli Tarto e Tiina Vahtras.

"Há que ter em conta que se trata de uma edição de bolso e que o número de portugueses que falam e, sobretudo, que tenham estudado em profundidade a língua estónia é extremamente diminuto", justifica Ana Paula Zacarias, embaixadora de Portugal na Estónia.

De acordo com a diplomata portuguesa, o novo dicionário é sobretudo "um instrumento útil para quem está a dar os primeiros passos na aprendizagem de qualquer das duas línguas, ou para quem se desloque em viagens de turismo ou de negócios".

Além das entradas é também apresentada informação variada sobre a vida e a cultura portuguesa e brasileira, tal como explicações ou informação sobre a "Amazónia", "Pantanal", "Pão de Açúcar", "PALOP", "Batalha (Mosteiro da Batalha)", "Festas de São João", etc.

"Seria interessante lançar num futuro próximo um dicionário mais aprofundado que permita apoiar as traduções de obras literárias dos dois países, a partir dos respectivos originais, sem recurso às traduções para uma língua intermediária como o inglês, o francês ou o russo", comentou à Lusa a embaixadora Ana Paula Zacarias.

Até ao momento apenas foram traduzidas para estónio "A Relíquia" de Eça de Queiroz, a "Autopsicografia" e " O Banqueiro Anarquista" de Fernando Pessoa, e "Domingo à Tarde" de Fernando Namora.

Estão traduzidos para português os livros "O Louco do Czar" de Jaan Kross (Edições D. Quixote) e "O Leiteiro de Mäeküla", de Eduard Vilde (Colecção Nova Europa, Grande Reportagem).

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