EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

"Poveirinhos pela graça de Deus" reúne várias histórias das gentes da Póvoa de Varzim

"Poveirinhos pela graça de Deus" reúne várias histórias das gentes da Póvoa de Varzim

Um conjunto de crónicas sobre a Póvoa de Varzim em linguagem universal "para se irem lendo", é como o jornalista José de Azevedo apresenta o seu mais recente livro, "Poveirinhos pela graça de Deus".

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O título, explicou à Lusa, retirou-o de um registo de bordo do Rei D. Luís, que, quando navegava nas águas da Póvoa, ao avistar uma lancha perguntou aos pescadores se eram espanhóis ou portugueses, ao que estes responderam: "Poveirinhos pela graça de Deus".

"Estava assim - disse - criado o `Reino da Póvoa`, que, na realidade, corresponde ao isolamento a que se votava a comunidade piscatória poveira".

Na definiação do autor, "este é um livro que é para se ir lendo, com histórias curtas, numa linguagem universal e com humor, e um colorido local, poveiro".

A obra, com a chancela da Câmara da Póvoa de Varzim, divide-se em nove capítulos e inclui em anexo o "glossário poveiro", provérbios e termos próprios e ainda "`juras` da classe piscatória".

O glossário, com mais de cem palavras ou expressões específicas do "reino da Póvoa", contém termos como "jagunços", que são barcos costeiros de pesca com redes de cerco para a pesca da sardinha, ou "intão", que é um quintal virado para o mar sem ser murado.

O autor, 72 anos, atesta que este "é um livro sobre a Póvoa até aos dias de hoje, que dá uma ideia da cidade e das suas gentes".

Nele se relata, por exemplo, o "alarido" que varreu a cidade em 1982 quando se supôs que "se ouviam suspiros de aflição" na torre sineira da igreja matriz e os mesmos foram atribuídos a "almas errantes procurando pagar pecados terrenos". Nada mais era, afinal, do que pios de um casal de corujas que ali decidira fazer o seu ninho.

Há também histórias de personagens características como a "pescadeira" (peixeira) Susana da Costa, que fará 86 anos em Setembro e é descrita pelo autor como "a alma do bairro Sul".

Ela "encarna perfeitamente a genuína mulher poveira", autora, segundo José de Azevedo, do pregão "Pescada vivinha da costa".

Por esta conjugação de elementos, o autor entende que "Poveirinhos pela graça de Deus" é "ao mesmo tempo antropológico, sociológico, histórico e, claro está memorialista".

"Nascido em Vila do Conde a quatro casas da Póvoa e a três quilómetros do centro da terra onde nasci, cedo me liguei à Póvoa e a vê-la da minha janela", disse.

José de Azevedo tem várias obras publicadas, nomeadamente "Histórias do mar da Póvoa" (2001), que inaugurou a colecção "Linha do horizonte - Biblioteca Poveira", na qual agora publica "Poveirinhos pela graça de Deus".

Colaborou nos periódicos Comércio da Póvoa, Ala Arriba, Mundo Desportivo, Gazeta dos Desportos e Jornal de Notícias. De 1982 a 1990 foi director de A Voz da Póvoa.

Em 1973 publicou "Homens do mar da Póvoa" e três anos depois "A Póvoa de Varzim, a terra e o mar". É ainda autor de 14 títulos de teatro musicado, nomeadamente "Saúde e bichas" (1998) ou "Eram quase 200 irmãos" (1956), e do livro de poemas "Esperança" (1953).

PUB