Prémio União Latina de Literaturas Românicas atribuído a escritor romeno DumitriTsepeneag
Lisboa, 21 Mai (Lusa) - O Prémio União Latina de Literaturas Românicas, este ano na sua décima oitava edição, foi atribuído ao escritor romeno Dumitri Tsepeneag por um júri de que fizeram parte a portuguesa Lídia Jorge e o angolano José Eduardo Agualusa.
O júri destacou "a excelente qualidade artística" dos romances, ensaios e memórias do premiado e "o seu empenho na defesa das formas literárias e da liberdade de expressão".
Numa nota à imprensa, a União Latina descreve Tsepeneag como "precursor de uma corrente literária oposta à doutrina oficial, dissidente do regime de Ceascescu (que lhe retirou a cidadania romena), espírito independente e provocador que contribuiu, durante o seu exílio em Roma, para dar a conhecer a literatura da Europa de Leste".
O escritor "associa na sua obra a experimentação literária à preocupação social e histórica", diz a nota, que destaca, do conjunto da produção romanesca, "variada e rica", do premiado a trilogia "Hotel Europa", "Pont des Arts" e "Au pays des Maramures" (1996-2001), "um vasto fresco tumultuoso da migração dos Romenos em direcção ao Oeste, depois da queda do regime de Ceaucescu".
Tsepeneag nasceu a 24 de Fevereiro de 1937 em Bucareste e foi, nos anos 60 e 70, juntamente com o poeta Leonid Dimov, o precursor do onirismo, a única corrente literária que se opunha ao "realismo socialista" oficial.
Em 1975, durante uma estada em Paris, viu-se privado da sua nacionalidade por Ceausescu e forçado ao exílio.
Fundou e dirigiu em Paris a revista trimestral literária "Cahiers de l`Est", entre 1975 e 1980, seguida da "Nouveaux Cahiers de l`Est", de 1991 a 1992. Entretanto, em 1984, naturalizou-se francês.
Mais recentemente, em 2003, lançou uma nova revista "Seine et Danube". É também membro do comité de redacção da revista "PO&SIE", dirigida por Michel Deguy.
O Prémio tem uma dotação de 12.000 euros, repartidos da seguinte maneira: metade da soma será dada ao laureado, a outra servirá em prioridade para contribuir para as despesas de tradução e de publicação de uma obra de ficção do laureado numa língua latina que não a língua de origem da obra premiada.
Os candidatos eram, além de Tsepeneag, Alberto Arbasino (Itália), Jaume Cabré (Espanha, língua catalã), Mário de Carvalho (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Ana María Matute (Espanha), Patrick Modiano (França), Aminata Sow Fall (Senegal), Paco Ignacio Taibo II (México), Dumitru Tsepeneag (Roménia).
Reunido no passado dia 19 para deliberar, na Academia Real de Espanha em Roma, o júri, presidido por Vincenzo Consolo (Itália), era constituído por Gabriela Adamesteanu (Roménia), Santiago Gamboa (Colômbia), Joan Francesc Mira (Espanha, língua catalã), Tierno Monénembo (Guiné), Lídia Jorge (Portugal), José Eduardo Agualusa (Angola, Jean-Noël Pancrazi (França) e Fanny Rubio (Espanha).
O nome do escritor romeno foi escolhido na quarta volta do escrutínio. A escritora espanhola Ana Maria Matute foi a outra finalista.
RMM.
Motivação do júri
Este ano, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas foi atribuído a Dumitru Tsepeneag
O Prémio
O Prémio União Latina de Literaturas Românicas, criado em 1990, homenageia a diversidade do património literário latino consagrando, anualmente, um romancista de língua latina, cujas obras mereçam ser amplamente difundidas e traduzidas nas outras línguas latinas. O júri, completamente independente, é composto por prestigiados escritores representando seis línguas latinas (catalão, espanhol, francês, italiano, português, romeno) na sua grande diversidade cultural e geográfica.
Os candidatos
Alberto Arbasino (Itália), Jaume Cabré (Espanha, língua catalã), Mário de Carvalho (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Ana María Matute (Espanha), Patrick Modiano (França), Aminata Sow Fall (Senegal), Paco Ignacio Taibo II (México), Dumitru Tsepeneag (Roménia).
Os laureados anteriores
Juan Carlos Onetti (Uruguai), José Cardoso Pires (Portugal), Jean-Marie Gustave Le Clézio (França), Gonzalo Torrente Ballester (Espanha), Vincenzo Consolo (Itália), Alexandru Vona (Roménia), Lalla Romano (Itália), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Juan Marsé (Espanha), Marie-Claire Blais (Québec), Francisco Dantas (Brasil), Guillermo Cabrera Infante (Cuba), Henry Bauchau (Bélgica), António Lobo Antunes (Portugal), Virgil Tanase (Roménia) e Juan José Saer (Argentina) ex æquo, Frankétienne (Haiti) e Mia Couto (Moçambique).
Os patrocinadores
Esta iniciativa tem o Alto Patrocínio da Presidência da República, o patrocínio da Presidência do Conselho de Ministros, dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Educação Nacional e da Cultura do Estado italiano. Beneficia também do apoio do Instituto Italo-Latinoamericano, do Ministério da Cultura da Espanha, do Ministério da Cultura de Portugal - Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, da Embaixada de França em Itália, da Real Academia de Espanha em Roma, do Instituto Cervantes de Roma, do Instituto Cultural Romeno, das livrarias Feltrinelli e Bibli, do Caffè Letterario, de Nessuno TV, da Universidad Sapienza e dos liceus Chateaubriand, Sacro Cuore Trinità dei Monti e Virgilio.
A União Latina
A União Latina é uma organização internacional fundada em 1954 pela Convenção de Madrid que tem como objectivo divulgar e difundir a herança cultural e as identidades do mundo latino. Presente em quatro continentes, reúne 37 Estados membros e 3 outros Estados com o estatuto de observador. A União Latina desenvolve projectos multilaterais que envolvem todos os Estados-membros.
Para o cumprimento da sua missão, possui uma rede de representações em cerca de vinte países.
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