Prémios César do cinema francês para Carine Tardieu, Richard Linklater e Paul Thomas Anderson

Prémios César do cinema francês para Carine Tardieu, Richard Linklater e Paul Thomas Anderson

"L`Attachement", de Carine Tardieu, conquistou esta noite três prémios César do cinema francês, incluindo o de melhor filme, numa cerimónia que também distinguiu o norte-americano Richard Linklater, como melhor realizador, e "Batalha atrás de batalha", como melhor filme estrangeiro.

Lusa /

O filme de Carine Tardieu, exibido no ano passado em Portugal na Festa do Cinema Francês, que o apresentou como "uma reflexão delicada sobre a forma como os laços familiares se criam além das convenções e do sangue", foi igualmente premiado pelo argumento adaptado do romance "L`intimité", de Alice Ferney, e pelo desempenho de Vimala Pons, como melhor atriz secundária.

Ao receber o prémio principal da Academia Francesa de Cinema, a realizadora Carine Tardieu lembrou que "L`Attachement" se centra "em tudo aquilo que nos liga nesta sociedade, que está a construir muros por todo o lado".

O prémio de melhor realização foi para Richard Linklater, por "Nouvelle Vague", o filme-homenagem ao cineasta Jean-Luc Godard, numa recriação da rodagem de "O acossado" e, através dela, de celebração do cinema francês e do movimento que definiu a sua modernidade.

"Nouvelle Vague" também deu a Catherine Schwartz o prémio de melhor montagem, a David Chambille, o de melhor fotografia e, a Pascaline Chavanne, o prémio de melhor guarda-roupa, fazendo desta coprodução franco-norte-americana um dos filmes mais premiados da noite.

Quanto ao César de melhor filme estrangeiro, para o qual estava nomeado "O agente secreto", do cineasta brasileiro Kléber Mendonça Filho, foi para "Batalha atrás de batalha", do norte-americano Paul Thomas Anderson.

O César de melhor atriz coube a Léa Drucker, pelo desempenho em "Dossier 137", de Dominik Moll, filme sobre violência policial, e o de melhor ator a Laurent Lafitte, por "La Femme la plus riche du monde", de Thierry Klifa, livremente inspirado em Françoise Bettencourt-Meyers, herdeira da L`Oréal.

Nas principais categrias dos Césares, foram ainda premiados "Le Chant des forêts", de Vincent Munier, melhor documentário, "Au Bain des Dames", de Margaux Fournier, melhor `curta` documental, "Mort d`un acteur", de Ambroise Rateau, melhor `curta` de ficção, "Fille de l`eau", de Sandra Desmazières, melhor `curta` de animação, e "Arco", de Ugo Bienvenu, melhor longa-metragem de animação, que também deu a Arnaud Toulon o César de melhor banda sonora.

A cerimónia, que decorreu esta noite no Olympia, em Paris, abriu com a entrega do César honorário ao ator Jim Carrey, protagonista de "Ace Ventura" e "The Truman Show". Num discurso em francês, Carrey lembrou os seus antepassados franceses, que emigraram para o Canadá.

A academia francesa homenageou ainda o documentarista norte-americano Frederick Wiseman, que morreu há uma semana, e a atriz Brigitte Bardot, que morreu em dezembro.

Bardot, de acordo com a imprensa no local, foi alvo de "algumas vaias", durante o vídeo de evocação da sua carreira, numa crítica a ligações da atriz a movimentos de extrema-direita.

A atriz franco-iraniana Golshifteh Farahani, que entregou o prémio de argumento, fez a intervenção política da noite, ao evocar o seu país de origem, onde "as estrelas foram reduzidas a pó, a sangue ou silenciadas", dando como exemplo o cineasta Jafar Panahi, vencedor da última Palma de Ouro em Cannes por "Foi só um acidente", hoje nomeado para o César de melhor filme.

Panahi, disse a atriz, "foi preso e proibido de fazer filmes, mas continuou a criar, apesar da tirania e da censura, e é esse o espírito do povo iraniano".

"Sempre a lutar, com esperança, mesmo na dor, o povo iraniano luta pela sua liberdade há décadas, de mãos vazias, muitas vezes sozinho, armado com a sua coragem e uma das mais antigas e profundas culturas do mundo. Apesar de toda a ajuda que nunca receberam, acabarão por vencer", garantiu Farahani. E concluiu: "A demanda da liberdade pulsa no coração da humanidade. Um ser vivo nunca se subjuga".

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